quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 está a chegar ao fim.
Como me acontece em todos os finais de ano, sinto-me nostálgica. Inexplicavelmente nostálgica. Bem, não assim tão inexplicavelmente... Um ano parece tanto tempo e depois parece passar tão depressa...
Hoje de manhã, à hora a que me levantei (11 e tal.. =P), olhei pela janela e a manhã que estava naquele momento pareceu-me adequada a uma manhã de fim de ano. Àquela hora, a última manhã de 2009 era solarenga, provavelmente fria e não disfarçava o facto de ter chovido abundantemente há umas horas atrás. Olhei pela janela e desejei conseguir rever os meus 365 dias de 2009... Queria, de certa forma, "despedir-me" deste ano lembrando aquilo que ele me trouxe.
Trouxe-me momentos importantes, inesquecíveis. Trouxe-me novas experiências. Trouxe-me coisas que eu queria mas também me trouxe coisas que eu não queria.. Umas, eu estava à espera delas, outras, nem por isso. Cresci, mudei; não em tudo, nem sempre da melhor maneira, mas fui tentando...
Este texto não me está a sair muito bem (talvez porque é complicado resumir o que foi o meu ano e o que senti em relação a ele em algumas palavras...=/)
Penso então em 2010.
Sem querer antecipar nada, sei que, se tudo correr pelo melhor, vai ser um ano marcante e decisivo para mim, nomeadamente devido a duas imponentes palavras que terminam em "ade" - Maioridade e Universidade.
Com tudo o que elas trazem consigo.
Mas isso será em 2010.
Por agora, ainda é 2009.
É altura de pensar nos desejos e pensar em ter força para os concretizar - as 12 passas ainda não fazem o trabalho sózinhas, há que investir um pouco de nós mesmos.
QUE 2010 TRAGA MUITOS BONS MOTIVOS PARA PUBLICAR NO "MAYBE, MAYBE NOT"
='D
[já não acredito que só existam coisas boas; por isso, como sei que 2010 também irá trazer coisas menos boas, só peço que me traga força para as enfrentar e um bocadinho de inspiração para conseguir escrever sobre elas ;) ]
Despeçam-se de 2009 com um sorriso e recebam 2010 com esse mesmo sorriso =')
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sábado, 26 de dezembro de 2009

Natal

Ontem foi o dia de Natal.
Queria ter escrito algo antes deste dia, para terminar a desejar um feliz Natal a todos. Acabei por não escrever esse texto. Falta de tempo? Falta de vontade? Falta de inspiração? Não sei, o meu inconsciente o saberá. É certo que ainda nos encontramos na época natalícia (as iluminações de Natal da rua ainda não foram tiradas, os doces ainda não foram todos comidos...)e, afinal, o dia de Natal foi só ontem, mas o meu perfeccionismo exagerado diz-me que, se não escrevi o texto até ontem, já não o vou fazer... Mais vale tarde do que nunca, ok... mas as prendas já foram desembrulhadas, a família já se reuniu à volta da lareira...acho que é preferível fazer outro tipo de abordagem ao Natal. Também não quero deixar esta época passar sem lhe dedicar umas linhas... Pois bem, então, sendo assim...Natal.
Para mim, o Natal é uma época de reflexão. Uma época especial de reflexão. Há quem reflicta na passagem de ano mas eu, na passagem de ano, limito-me a ficar estranhamente nostálgica e essa nostalgia impede-me de reflectir sobre alguma coisa de jeito. Por isso, é no Natal que eu páro um bocadinho, enroscada numa manta ao pé da lareira, ofuscada pelo brilho das luzes da árvore de Natal, e penso.
Penso que gostava de poder mexer nos ponteiros do relógio e nas folhas dos calendários e deslocá-los no tempo; umas vezes para trás, outras vezes para a frente.
Gostava de recuar no tempo e voltar a ter o encanto pelo Natal que tinha em criança. Gostava de voltar a não conseguir dormir na noite antes de abrir as prendas. Gostava de voltar a sentir aquela curiosidade tão forte pelo conteúdo dos misteriosos embrulhos que se amontoavam à volta da árvore de Natal. E, depois, gostava de correr o risco de os ir abanar e estudar as suas dimensões enquanto os papás iam tomar café. Gostava de correr para a televisão quando passava o anúncio da Leopoldina (hoje em dia, ultrapassado pela Popota Wegue Wegue =T) e cantar bem alto a música que, ainda hoje, todos sabemos de cor, certo? Gostava de folhear outra vez os catálogos de brinquedos do Continente e desejar ardentemente algum brinquedo um tanto ou quanto inútil. Gostava de rasgar sofregamente não só as minhas prendas como também as de toda a restante família e borrifar-me um bocado no pedido da minha mãe para não estragar os laços e os sacos x) Gostava de fazer crer aos meu pais que não sabia que eles guardavam as minhas prendas na última prateleira do roupeiro ou no fundo do armário do escritório. =P Gostava de me lembrar se alguma vez acreditei efectivamente no Pai Natal.
Por tudo isto, e por tudo o que isto me faz recordar, era bem capaz de atrasar o calendário uns anos, atrasar o relógio umas infinitas horas.
Por outro lado, há momentos em que não quero recuar. Quero antes avançar. Quero avançar e poder espreitar o meu Natal daqui a 20, 30 anos.
Sózinha, acompanhada ?
Casada, solteira ?
Com filhos, sem filhos ?
Na cidade onde nasci ou do outro lado do mundo?
Feliz, triste?
Com que profissão?
Com que experiências?
Com que certezas, com que dúvidas?
Será que ainda reflectirei nessa altura?
Satisfeita ou não?
Será que ainda manterei este blog?
Será que mudarei muito ou nem por isso?
Será, será será...
E, desta vez, por tudo isto e por tudo o que isto me faz querer, era bem capaz de avançar o calendário uns anos, avançar o relógio umas infinitas horas.
E o presente, e o agora? Sinto que o presente é um momento de transição entre o que tive e o que vou ter. Mas não o desperdiço nem menosprezo. Não recuo o relógio nem avanço o calendário. Simplesmente olho para os embrulhos dourados e percebo que vale a pena ir passando por todos estes Natais. :'D
Espero que tenham tido um Natal que valeu a pena ^^
Tudo de bom, pessoal ;)
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tarde cinzenta e fria num filme americano

Já toda a gente se foi embora mas eu permaneço sentada num dos degraus da escadaria que pretende ser uma bancada de um campo de futebol. É um campo de futebol de rua, daqueles onde grupos de amigos se reúnem para jogar um jogo de futebol que, no fim, todos ganham. O piso não é anti-queda, nem anti-derrapante, nem anti-nada. É só um piso. As balizas têm uns farrapos agarrados que, em tempos, foram redes; hoje, são só uns farrapos que se bandoleiam, solitários e abandonados, ao sabor da pontual passagem desleixada do vento. O campo já não tem linhas desenhadas - estas já existiram, é certo, mas foram sendo apagadas pelas solas de ténis que correram, apressadas, por cima delas, e as pisaram sem sequer darem por isso.
E eu, sentada num dos quatro degraus que servem de bancada a este campo.
Está uma tarde cinzenta (demasiado cinzenta) e fria.
Todo este ambiente é melancólico.
É assim que eu me sinto.
Melancólica. Desconfortável. Cinzenta.
Sinto-me num final de tarde de um filme americano que envolva colégios - com cacifos gigantes onde se colam recortes de revistas e fotografias na parte de dentro, - famílias com três filhos, grupos de amigos - com vidas aparentemente aliciantes e desprendidas, -rock alternativo - muitos acordes de guitarra e vozes roufenhas ao microfone, aquele ritmo que tanto pode constituir músicas alegres como tristes- e bairros com casas pré-fabricadas - todas tão semelhantes : jardim à frente (se for Inverno, sempre coberto de neve; se for Primavera, com uma máquina de cortar relva em grande destaque), três degrauzinhos antes da porta de entrada, kitchenet com forno sempre a trabalhar...
Este ambiente deixa-me tonta, enjoada e farta.
Latas de refrigerantes acumulam-se aos cantos do campo. Os prédios fazem parte da paisagem. A paisagem é citadina, uniforme, poluída (demasiado). Tanto que quase adivinho a linha de comboio desactivada, enferrujada e, claro, cinzenta.
Folhas das árvores passam à minha frente, às cambalhotas.
Continua a estar demasiado frio.
Tento aquecer as mãos (em vão).
Começa a chover aquela chuva irritante que chega a ser insignificante para se chamar chuva, mas não tão insignificante como isso para se dizer que não chove. Não tenho como me abrigar; vou pensar que esta chuva é insignificante.
Nunca mais anoitece.
Fico ali sentada, encolhida, melancólica.
Penso em filmes americanos.
E nunca mais anoitece.
Estou à espera sei lá do quê, mas continuo à espera (só porque não anoitece?).
Não vai anoitecer.
Está na hora de ir para casa.
[Pretty much escrita automática.]
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Amnesty

" IT IS BETTER TO LIGHT A CANDLE THAN TO CURSE THE DARKNESS "

Fonte: YouTube

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

... Just say it again and mean it ...
When it rains - Paramore
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domingo, 6 de dezembro de 2009

* Completamente mergulhada em school stuff =/ *
...e ansiosa por vir à superfície e escrever algo que não esteja minimamente relacionado com História A, Português, Psicologia B, Inglês, Área de Projecto ou Educação Física...
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fonte:www.youtube.com/watch?v=pwq-Nh0xPz4

Valia a pena sermos um pouco mais efémeros, neste sentido...

Isto não é publicidade à Vodafone! Eles não me pagam nada, aliás, eu é que lhes pago a eles...! xD

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Vento

O vento leva-me para longe.
Deixo-me ir, sem saber bem porquê.
E vou, embrulhada no ar forte e invisível.
Não tenho forças para me agarrar às árvores... (já bastaram as vezes que fui contra elas.)
O vento empurra-me e eu não quero ir. O vento puxa-me e ir é o meu maior desejo.
E eu..??
Sou cada vez mais móvel. Sinto-me cada vez mais parada.
Deixa-te baloiçar. Mas tenho mais medo de cair do que de voar alto demais...
Não faz sentido, a culpa é minha e, cada vez mais, sou levada pelo vento.
Vêem-me passar mas não me seguram.
(Vou muito rápido ou passo despercebida entre as nuvens? )
Anoitece e amanhece e o vento não me abandona.
Este vento é frio, é quente demais. É desconfortável e não me conforta.
Quando é que mudas de direcção? Sopra noutro sentido e muda o meu destino. Morre um bocadinho e deixa-me pousar os pés no chão. Eu não peço, apenas te sussurro um segredo... Não finjas que não oiças. Substitui-me pelas folhas que andam caídas pela relva do jardim (elas também não têm destino e vão para onde tu quiseres).
Por um momento, sento-me no telhado de um castelo qualquer e o vento já se esqueceu de mim.
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[ Um dia vou perceber exactamente o significado deste texto... =T muita coisa à primeira, nada à segunda, ou vice-versa @ ]

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

That's why I have to stop and listen to the voice inside...
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So why do I keep coming back?
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" Não acredito em lugares mágicos, nem em pontos de energia telúrica, nem em ondas místicas que se libertam da paisagem. Acredito, isso sim, em estados de alma. Que fazem com que os lugares se tornem mágicos. Ou malditos. Depende. "
Gonçalo Cadilhe in Nos Passos de Magalhães
Demasiadas citações do Gonçalo Cadilhe?
Depende ;)
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

An invitation to the dance of life

"
(...)
And if it makes you feel good then I say do it, I don't know what you're waiting for
(...)
But for now just come here, let me whisper in your ear, an invitation to the dance of life...
Come join the party, it's a celebration !
(...)
No more hesitation
(...)
Come join the party, it's a celebration..! "
Excerto da música "Celebration" - Madonna
Será estupidamente optimista, infantil e imaturo querer celebrar?
Porque às vezes apetece celebrar, mesmo que não haja nenhuma razão aparente. Apetece celebrar simplesmente pela sensação de celebrar, pela alegria, loucura e inconsequência de estar feliz.
Porque celebrar afasta as tristezas e os pensamentos acerca das tristezas.
Será bom ver no mais pequeno pormenor um motivo de felicidade?
O pôr-do-sol
O amanhecer
A gargalhada
O convívio
A rua
A juventude
A vida
A amizade
O amor
O mundo
A música
O saber
A paisagem
A viagem
As palavras
A liberdade
A paixão
O encanto
A surpresa
O olhar
A intenção
O empenho
O passado
O presente
O futuro
A força
A noite
As estrelas
O movimento
Os ideais
As cores
...
Celebrar.
Celebrar o que somos, o que temos, o que lutamos para alcançar.
Fazer uma festa.
Celebrar.
Celebrar o máximo, celebrar o mínimo. Mas celebrar.
E se a celebração acaba? Se surge um motivo que lhe ponha fim..? É o mais natural de acontecer... Seremos condenados por desejar continuar a celebrar? O desejo de querer que algo bom dure para sempre é condenável? Há desejos que sim, podem ser condenáveis. Mas este não.
Quando, por qualquer razão, a celebração tiver que ser interrompida, lembrar:
- que já a vivemos;
- que nos sentimos bem;
- que vale a pena celebrar;
- que, por vezes, a celebração é interrompida, mas que tal estado não tem que ser, obrigatoriamente, eterno;
- e, o mais importante: que a celebração pode ser retomada. Quando quisermos, onde quisermos, com quem quisermos, da forma que quisermos. E, claro, se quisermos.
Queremos, certo?
Celebrem =')
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sábado, 31 de outubro de 2009

Halloween 2009 E.S.A.S <3

Muito obrigada a todos os que actuaram, a todos os que participaram, a todos os que ajudaram e contribuíram das mais variadas formas possíveis, a todos os que acreditaram, a todos os que estiveram presentes, a todos os que dançaram, cantaram, sorriram e saltaram!

Muito obrigada mesmo! :')

O nosso Halloween maravilhoso irá ajudar três causas que merecem toda a ajuda possível. ^^

[Aquela palavra especial para as pessoas com umas t-shirts que diziam STAFF - Pessoal, só nós sabemos :') @]

É só impressão minha ou este ano o Halloween foi mais brilhante do que o normal? ;)

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sábado, 24 de outubro de 2009

" ISTO NÃO É UMA FESTA DE HALLOWEEN! "
30 de Outubro
Ginásio da ESAS

Programa:

16:00 - Início

16:30 - Abertura com "The Gongas Spears Magno"

17:30 - Actuação de Inês Félix

18:00 - Concurso de gritos

18:30 - Actuação de Fábio Mirra

19:00 - Actuação de Hip Hop

20:00 - Fecho das portas

DJ convidado: DJ Haso

O programa pode sofrer alterações, mas nada de muito aterrador... :P

Se quiseres, podes levar uma máscara ou algo alusivo ao Halloween :P

Bilhetes à venda junto dos alunos do 12ºD e também no CRE da escola! (1,5 abóboras)
Atenção! É mais caro se comprares o bilhete no próprio dia, por isso, hurry up! ;)
Todo o dinheiro angariado reverterá a favor da APAV, da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita e para um projecto de hipoterapia para crianças deficientes.
( iniciativa no âmbito da disciplina de Área de Projecto ).
Bora lá pessoal, é por 3 boas causas e a única coisa que têm de fazer é marcarem presença na festa de Halloween mais arrepiante de sempre e passarem um bom bocado com os vossos amigos!
Divulguem e apareçam!
=D @

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Façam barulhooo! =p

" (...) Mesmo sabendo que não gostavas,
Empenhei o meu anel de rubi,
P'ra te levar ao concerto
Que havia no Rivoli (...) "
=')
[ Moral, Fátima 2009 @ ]
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Todos os caminhos vão dar a todas as Romas do planeta (...)."
Gonçalo Cadilhe em "Nos passos de Magalhães"
Eu penso: " Então, qual vai ser a desculpa, desta vez? Se há vários caminhos, várias Romas, tantas hipóteses de chegada como de partida...eu penso... Qual vai ser a desculpa para não seguir nenhum caminho, para não alcançar nenhuma Roma...?"
Penso mas não digo nada.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sonhador Viciado

" Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e de vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.
Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri."
Fernando Pessoa
Há quem diga que Fernando Pessoa, de vez em quando, para "expandir a sua criatividade", tomava algumas "substâncias químicas"... Drogas. Bem, obviamente eu não posso saber se isto é verdade ou mentira - abstenho-me de opinar sobre as supostas dependências de Fernando Pessoa. Não tenho forma de saber se o seu génio criativo era fruto de uma imaginação fora de série ou de uns quantos pozinhos mágicos milagrosos...
No entanto, este poema leva-me a pensar: não teremos todos uma pequena dose de pozinhos milagrosos escondidos algures dentro de nós e que, por vezes, se libertam, se espalham pelo nosso corpo e pela nossa mente e nos levam a desejar "ilhas do fim do mundo"? Esta possibilidade parece assim tão excêntrica, tão descabida, tão irreal? Para mim, nem por isso. Não me surpreenderia se, mais dia menos dia, se descobrisse que todos temos um armazenamento de pozinhos mágicos dentro de nós, muito bem escondidos. Porém, esporadicamente, por necessidade inconsciente nossa, estes pós têm que deixar o seu esconderijo e viajar pelo nosso sangue, espalhar-se por todas as partes do nosso corpo que ainda consigam sonhar. E qual é o efeito deste processo? Pensar, por momentos, que podemos fugir para uma ilha onde a felicidade plena é atingível. Um sítio onde todos os nossos medos e preocupações são barrados à entrada, porque simplesmente não têm passaporte. E, nesse sítio, divagamos, mais livres do que nunca. Tudo é suave, descomplicado, belo... Enfim, a perfeição segundo os padrões de cada um de nós.
E eis que os pozinhos mágicos deixam de funcionar e nós nos apercebemos que essa ilha não existe, não existiu e, possivelmente, nunca existirá. Possivelmente...
Racionais, não queremos viver numa alucinação; é uma realidade que não existe, logo, acaba por significar apenas uma felicidade momentânea e vazia.
Sonhadores, temos a capacidade de voltar a repor o nosso armazenamento de pozinhos que, quando precisarmos de esquecer um pouco esta ilha deste mundo, voltarão a estar disponíveis para serem utilizados.
Talvez Fernando Pessoa fosse apenas um sonhador viciado.
Critiquemos o vício, deixemos o sonho em paz.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

" (...)
If you don't like that, then send it right back.
(...)"
Verso da música "Be on you" - Ne Yo
Uma atitude que facilitava muita coisa.
Não gosta, não serve, não quer, não precisa... volta para o sítio de onde veio. Com delicadeza. Sem sentimentos de culpa.
Mas todos sabemos que a realidade não é bem assim. Porquê?
Prazer em complicar tudo.
=T @

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

" Ou você vive a vida, ou a vida o vive a si . "
Dave Pelzer
E ser vivido pela vida não tem piada nenhuma.
;)
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Primeiro passo de mochila às costas

" É com uma pontinha de preocupação que ponho uma vez mais a mochila às costas, saio de casa, deixo a cidade. Em que me meto desta vez? Sorrio: afinal, a mesma pergunta, as mesmas dúvidas, essa mesma pontinha de preocupação de todas as outras vezes, de todas as outras viagens. Por enquanto preocupo-me apenas com a mesma coisa de sempre: em vencer a inércia e dar o primeiro passo."
Gonçalo Cadilhe em " Nos passos de Magalhães "
E, no final de contas, não é isso que custa sempre, a todos...: vencer a inércia e dar o primeiro passo?
Gostei de perceber e poder confirmar que até mesmo uma pessoa que já percorreu o mundo enfrenta o que eu, tantas vezes, enfrento - o receio de dar o primeiro passo. É tão difícil optar pelo incerto, mudar, tomar decisões... E se escolhermos a opção errada? O que acontece? Poderemos voltar atrás? E se ficarmos sozinhos? Pior...e se quem esperávamos que ficasse connosco for o primeiro a nos abandonar?
Frequentemente, penso que sou só eu a debater-me com este tipo de problemas... Não podia estar mais errada! No segundo a seguir a ter pensado isso, já me apercebi do tremendo erro egocêntrico que cometi ao achar que só eu coloco estas questões. Que só eu é que tenho medo... Sei que não é assim. E o Gonçalo Cadilhe também sabe.
Comecei a ler os livros dele há uns tempos e fiquei imediatamente fã. Trata-se de um jornalista que "passeia" pelo mundo de caderno e caneta na mão, com o objectivo de escrever tudo aquilo que vê para, no fim, enviar uma crónica a ser publicada no jornal Expresso. No entanto, acaba por escrever mais sobre aquilo que sente do que sobre aquilo que vê. Os livros dele são uma autêntica viagem. Facilmente imaginamos que somos nós que vagueamos, de caderno e caneta na mão, por esse globo fora, e não ele. (Atenção, não recebo nada por fazer publicidade aos livros do Gonçalo Cadilhe. xD No entanto, se tiverem curiosidade em ler, ainda bem. Acho que não se vão arrepender! =D ).
De certa forma, é uma pessoa que admiro, maioritariamente por fazer coisas com que eu sonho: viajar pelo mundo, escrever, ser jornalista... Que combinação! =')
Enquanto não chego lá, leio os livros. E aprendo que até uma pessoa que já partilhou casa com pessoas que conhecia há uns minutos, já almoçou refeições que não lembram a ninguém, já arranjou as maneiras mais insólitas de passar fronteiras...tem receio de dar o primeiro passo. E foi esta mesma pessoa que, depois de viajar, viajar, viajar... voltou sempre a casa com uma máquina fotográfica cheia de histórias e livros cheios de imagens da memória de quem passou momentos únicos e que os tenta descrever... embora saiba que, escritos, são bons, mas nunca tão bons como são vividos.
Por essa razão, ele volta sempre a pôr a mochila às costas.
O primeiro passo não deve nunca ser um impedimento - deve ser um impulso.
Muitos primeiros passos de mochila às costas. =)
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Coimbra

" Nos jardins da Quinta das Lágrimas acumulam-se memórias desde o século XIV, tanto nos elementos construídos como nas suas árvores, nas suas lendas populares e na sua verdadeira história. O documento mais antigo onde a Quinta é referida data de 1326, ano em que a Rainha Santa Isabel mandou fazer um canal para levar a água de duas nascentes para o Convento de Santa Clara. Ao sítio de onde saía a água chamou-se "Fonte dos Amores", por ter presenciado a paixão de D.Pedro, neto da Rainha Santa, por Inês de Castro. A outra fonte da Quinta foi baptizada por Camões de "Fonte das Lágrimas", por ter nascido das lágrimas que Inês chorou ao ser assassinada. O sangue de Inês terá ficado preso às rochas do leito, ainda vermelhas depois de 650 anos...
"Lágrimas são a água e o nome amores", escreveu Camões nos "Lusíadas".
Folheto Turístico

Coimbra e o seu Rio Mondego...

Coimbra e os seus Pequenitos...

Coimbra e as suas (não podia deixar de ser) criativas Repúblicas de Estudantes Universitários... Ainda estava tudo muito calmo, as aulas ainda não tinham começado. Mas dava para sentir o ambiente universitário no ar...

Fim-de-semana prolongado em Coimbra. Sair de casa, quebrar a rotina.

Mais uma cidade portuguesa a destacar no caderno de viagens.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Teletransporte 2 (para longe de metáforas repetidas)

...
E teletransporta-me para bem longe, por favor...
As palavras começam a querer repetir-se e eu não sei até que ponto isso é bom...
Talvez não seja de todo bom.
Não vou repetir a metáfora que já usei. Se não fez sentido à primeira, muito menos sentido fará à segunda.
Se voltar a remexer na metáfora utilizada...Vai ser só para a apagar definitivamente.
Custa-me esta incompreensão metafórica, mas assumo a minha parte da culpa. Devo ser metafórica demais. Quem se perde em reflexões, às tantas, acaba por não ter novos assuntos sobre os quais reflectir. E aí tem que repetir incessantemente os velhos assuntos.
Recuso-me.
Para isso, leio os textos que já escrevi antes.
Um bocadinho menos de assuntos velhos, um bocadinho mais de assuntos novos...
Vá lá.
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Teletransporte

www.youtube.com/watch?v=sMcmIhkWETI

Sou levada por uma espiral azul, laranja, verde ,amarela , preta, branca...

Transparente, brilhante, musical, fresca, cintilante, leve, voadora...

Suave, maleável...

É o meu teletransporte. Leva-me sempre para onde eu quero e não posso chegar...

Hoje, leva-me, por favor, para um sítio onde a música não páre de tocar. Para onde o pôr-do-sol não desapareça ou, então, onde seja sempre noite...Mas uma noite de pôr-do-sol. Leva-me para uma praia cheia de gente mas sem falta de espaço, onde não interesse quem somos mas sim como somos; uma praia em que ninguém pense, só viva - uma praia onde a música que toca soe de outra maneira, uma maneira que só quem lá está pode sentir e compreender...

Algo único no Universo...

As bebidas de tantas cores que brilham nos copos estendidos ao luar, quando a música não permite parar. As tintas fluorescentes que pintam caras, mãos, braços, pernas, e ninguém se preocupa se a nódoa vai sair. A esplanada tão cheia de risos à volta das mesas.

Ao fundo, os hotéis iluminados são o cenário perfeito.

"I want to live in Ibiza" @

Teletransporta-me.

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Não são saudades do Verão... São os efeitos secundários do teletransporte.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sorrisos que correm =)

Eu estava sentada no chão, numa rua qualquer, encostada a uma parede. Não me consigo lembrar de que dia era ou em que local exacto eu estava, só me lembro de que era um fim de tarde frio. Sei que me encontrava numa inércia assustadora. Estava como que petrificada...a vida passava à minha frente e eu simplesmente não via e não sentia. Repousava, assim, sem nada por que lutar; eu era apenas alguém que tinha desistido pois não se achava digna do acto de "não desistir"...seria um acto demasiado forte. Nada me seduzia, nada me retirava daquele estado amorfo.
Até que, de repente e pela primeira vez naquela tarde, os meus olhos deixaram o olhar vazio...eras tu que passavas, a correr, à minha frente. Levantei-me de imediato e, num impulso incontrolável, desatei a correr atrás de ti. Não sei porquê, só sei que o fiz. (talvez porque, quando passaste por mim a correr, olhaste, pelo canto do olho, para mim...apesar de não teres parado de correr...).
Eu corria, agora, como uma louca. Nunca na minha vida tinha corrido de uma forma tão livre e inconsequente, tão espontânea. Tu corrias à minha frente, alheado da corrida de perseguição que se desenrolva atrás de ti, sem saber que eras o alvo dessa perseguição. Corrias de uma forma tão leve e descontraída que quase parecia que não te cansavas. Já eu não posso dizer o mesmo...Corro atrás de ti (ainda sem saber por que motivo...) há um tempo considerável e começo a demonstrar os primeiros sinais de fadiga, normais numa pessoa pouco habituada a estas corridas da vida...
Mas recuso-me a parar. Não quero parar, quero levar esta corrida até ao fim. E qual é esse fim? Esse fim é o momento em que te agarro e corremos lado a lado; é o momento em que tomo a tua cara entre as minhas mãos e tenho a certeza de que és real.. Mas quando será isso? Tu corres tão rapidamente e eu tão desesperadamente... Sinto-me estúpida por continuar com esta corrida mas, ao mesmo tempo, sinto que tenho de o fazer. Tenho que correr atrás de ti, sejas tu quem fores...E só eu sei como corro...!
Olho à volta. Tanta coisa que me passa ao lado, tanto que eu poderia aproveitar, tanto que eu poderia viver e, no entanto, vou no teu encalce! E nada me magoa mais do que ter a perfeita noção de que tu nem sabes que não vais sozinho nessa tua corrida. Fico furiosa - contigo, comigo, com tudo. Mas principalmente contigo, com essa tua indiferença.
Reúno todas as minhas forças e dou o meu máximo. Parece que as minhas pernas vão explodir a qualquer momento, mas eu não quero saber...Estou cada vez mais perto de ti, se calhar se esticar o braço já te consigo tocar! É o que faço. Mas tu, como uma criança brincalhona, esquivas-te de mim. Parece que estás a gozar comigo! Uma fúria imensamente doce apodera-se de mim e faço mais uma tentativa. Consigo tocar-te no ombro e, por um milésimo de segundo, consegui ver que sorrias. Um sorriso que me irritava por tão aberto que era, quase parecia gritar: " Grande corrida, han?".
Mas escapaste-me outra vez. Não te consegui segurar (fiquei demasiadamente impressionada com o sorriso...). Corrias outra vez. E eu lá continuava atrás de ti. Inexplicavelmente (ou talvez por causa de toda esta confusão de corridas) duas lágrimas surpreendem-me durante a minha maratona. Abrando, não consigo manter o ritmo...
Em desespero completo, percebo que não aguento mais. Esta velocidade louca enfraquece-me e desgasta-me. Não é a minha velocidade, é a tua; não a consigo manter por muito tempo. Páro, deixo a minha cabeça cair para a frente e apoio as mãos nos joelhos. Sou uma corredora que fez o seu melhor tempo, mas chegou em 2º lugar...
Apesar da minha respiração ofegante, ainda consigo olhar em frente. Tu estás a uns metros de mim, de braços cruzados, e estás a sorrir. Li o teu sorriso. Dizia:
" Não te preocupes, segue ao teu ritmo, eu sigo ao meu. Na altura certa, eu vou abrandar ou tu vais acelerar e, sem darmos por isso, estaremos a correr lado a lado."
Depois de me teres dado a ler este sorriso, viraste costas e prosseguiste a tua corrida, no teu ritmo, sem nostalgia, sem receio.
Eu segui na direcção oposta (só por enquanto...), no meu passo inseguro mas constante.
No caminho de volta, vou aproveitar para ver tudo aquilo que me passou ao lado quando te perseguia cegamente.
Vou lembrando-me que, algures por aí, o teu sorriso existe.
E está só à espera de uma simples mudança de velocidades.. =)
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Just a few more lies about the world...
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Citações...

" Desiste de algo importante uma vez e perderás a confiança de uma pessoa.
Desiste duas vezes e perderás a confiança de um grupo de pessoas.
Desiste várias vezes e nem tu confiarás mais em ti mesmo"
Aldo Novak
P.S. - Quando não me sinto muito inspirada para escrever mas, no entanto, preciso de expressar algo e publicar no blog, gosto de recorrer a citações. Aliás, já o fiz algumas vezes. Mas agora, depois destas últimas aulinhas de Português sobre Fernando Pessoa, questiono-me se isto será lícito...Bem, no fundo, lícito é, visto que eu cito o nome do autor da frase ou do pensamento. A minha dúvida é - será que a interpretação que dou à frase é a correcta? Certamente que a ideia geral é a mesma mas, ao escrever determinada frase, o autor está a dar-lhe uma carga emotiva, um sentimento que só a ele pertence. Por mais vezes que eu, simples leitora, tentar "dissecar" as palavras apresentadas, é muito possível que nunca alcance a interpretação perfeita (eu não estava lá no momento em que uma simples visão, uma simples sensação despertou a vontade de escrever; eu não estava lá quando a caneta deslizou sobre o papel; eu não era a mente do escritor)...Isto torna cada junção de palavras única e preciosa.
É por isso que adoro escrever.
Um simples ponto final, a terminar uma frase minha, é um arco-íris de personalidade.
E isso faz-me sentir estranhamente especial.
Pode ser que um dia me dedique a escrever citações...Até lá, vou-me identificando com os arco-íris de personalidade de quem escreve por este mundo fora.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hipnose

"(...)
fear of loosing what you've just given up
(...) "
Excerto da música "Let Go" - Mia Rose
Desistir antes de tentar.
Perder antes de ter.
Ter medo antes de sofrer.
E, afinal, já desisti daquilo que tenho medo de perder... Fugiu de mim ou fui eu que, disfarçadamente, abri as mãos e deixei escapar? Nunca vou poder saber, está no meu inconsciente. (Alguém que me hipnotize e me diga a verdade!!)
Porque quanto mais quero, menos tenho.
E, se calhar, só não tenho por minha culpa...É a tal coisa: "medo de perder aquilo de que já desisti"...ainda por cima, tão facilmente.
E o comboio passa, eu fico na estação. Vão todos lá dentro, oiço-os a cantar. E eu fico na estação.
O maquinista grita:
- Ainda há aqui um lugar vago!
- Onde?
- Na carruagem número 7.
- Mas eu já tinha decidido que queria ir na 9...
- Oh menina, você queria ir na 9...Mas quem sabe se o seu lugar não é mesmo na 7..? às tantas até vê melhor a paisagem...!
Hipnotiza-me.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Bola de Cristal

Não quero ter uma bola de cristal. Porque, se a tivesse, saberia tudo (logo eu...).
Mas se às vezes eu pudesse alugar uma bola de cristal... Dispenso a vidente e tudo o que é acessório, tudo o que vem por arrasto e que a torna algo de pindérico.
Eu só queria ter uma bola de cristal, durante não mais do que cinco minutos, para poder cair na tentação de adivinhar...
...Quantos "nãos"...
...Quantos "sins"...
...Que "nãos"...
...Que "sins"...
...Porque é que é não...
...Porque é que é sim...
...Porque é que não é nada...
...Quem diz "não"...
...Quem diz "sim"...
...Quem não diz nada...
Porque, se não adivinho, parece que nada acontece. Diz-me, bola de cristal. @

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A última noite

"(...)
Like it's the last night on earth
Like it's the only chance we get to live
Let's give it all away, give it all we got
'cos my love won't wait for tomorrow
Like it's the last dance at the disco
Like it's the only song we get to sing
Let's give it all away, give it all we got
Till the sun comes up, don't stop.
(...)"
Excerto da música "Last night on earth" - Melanie C
Se a noite de hoje fosse a minha última noite na Terra (como posso ter a certeza de que não é...?) eu saíria à rua. E depois?
Depois...
As estrelas seriam as mais brilhantes e bonitas de sempre.
O céu seria o mais profundo e reconfortante de sempre.
A noite seria a noite do "sempre" e do "para sempre"...
Mas eu sei que não haverá "depois", nem "sempre" e muito menos "para sempre" que venham a seguir a esta noite.
Que faço?
Vivo a minha vida numa noite.
E, de repente, as minhas músicas preferidas tocam na rua; as pessoas que amo aparecem à minha volta; todos os lugares mais maravilhosos do mundo passam à minha frente, como se fosse um filme.
Eu grito, choro, rio, corro, salto, faço o que nunca fiz e sempre quis fazer, faço o que sempre fiz e gosto de fazer e já nem me lembro do que fiz e não gostei de fazer...
Sou como uma personagem de um filme e, ao mesmo tempo, o público sentado no cinema; sou a personagem de um livro e os seus leitores encantados...
Não me preocupo com os disparates que posso ter feito nesta noite - tenho a certeza que, amanhã, isso não terá a mínima importância. (Amanhã?)
Pela primeira e última vez neste mundo - fui livre, feliz e inconsequente.
Disse o que nunca tinha dito e nada me pareceu mais certo de dizer.
Mas a noite está a chegar ao fim. Olho para o céu e não quero ver o sol nascer. Quero que esta noite, a última noite, não tenha fim. Quero que seja eterna. Quero que seja o tal "para sempre". Pela primeira vez, prefiro viver no escuro.
E, quando vislumbro o primeiro raio de sol , já não sei mais nada...
O meu desejo?
Que a minha vida fosse sempre uma última noite.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Se queres ser feliz amanhã, tenta hoje mesmo."
Liang Tzu
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Árvore, sombra, sombra da árvore...

Deixa de ser a sombra que rasteja, fraca, junto ao chão.
Não percebes que ninguém te prende lá?
Simplesmente já não faz sentido, já ninguém aguenta (já não). Nem tu...
Sobe à árvore da qual és a sombra; a parte do tronco é tão fácil, a parte da copa é tão doce. E quando chegares ao topo, não olhes só em frente, olha também um bocadinho para baixo. (Não te esqueças que sabes tão bem o que lá está...)
Porque, se ainda és a sombra, é porque não tiveste a força para subir e queixas-te de que o solo é inclinado. Percebe isso. Inclinado ou não, há várias formas de subir. Encontra uma. Podes agarrar-te às pedras que se encontram, de vez em quando, nesse solo que queres subir. As pedras são duras, frágeis, inseguras? São poucas, muitas, não são as que tu querias? Não interessa. Esquece, ignora. Agarra-te a elas e sobe. (Porque a copa é tão doce...). Deixa de sonhar e faz-te ao caminho. Muito bem. Conseguiste, subiste o chão, estás a tentar agarrar-te ao tronco. E lá começas tu outra vez: é áspero, é escorregadio, tem falhas, tem bichos. Que irritação, queixas-te sempre do mesmo (ou de mais alguma coisa...)! Sobe o tronco, essa é a parte básica. E agora? Perguntas tu. Tantos ramos, tantos caminhos possíveis, qual é que escolho para chegar lá mais rapidamente e sem esforço? Mais rapidamente e sem esforço? És uma sombra com muitas dúvidas para o meu gosto... Escolhe esse ramo aí à tua direita. Chegas ao topo mais rapidamente e sem esforços, mas, uma vez lá, só consegues ver folhas à tua frente.Não vais ver nada. Estás no topo, mas continuas ofuscada. Continuas sombra. (Sombra cobarde, ainda por cima...). Segue o caminho que mais te apetecer; pode não ser o mais rápido, fácil, económico, feliz..Mas, pelo menos, foste tu que o escolheste e que o percorreste. Vais sentir-te menos sombra. Quando chegares ao topo (ao teu topo ou ao topo da árvore), pode ser que vejas mais que folhas, pode ser que sejas menos sombra.
Se já sabes tudo, porque é que ainda és sombra?
Faz pela vida.
O chão e o topo estão sempre lá, tu é que sabes onde é que queres estar... cresce (ou sobe)!
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bye bye Summer!

Agora é que é a sério. De vez, sem retorno. Para se falar das férias de Verão de 2009 já se utilizam os Pretéritos. Enfim, é igual todos os anos, mas não deixamos de sentir alguma nostalgia ao constatar que 3 meses de férias já escaparam das nossas mãos como grãos de areia. É algo repetitivo mas que não se torna enfadonho, pois ficamos sempre a ansiar pelo que aí vêm. Tantos planos para este Verão e parece que algo ficou incompleto, por realizar... Mas também acho que mais dias de férias não resolveriam a situação, por isso, resta-me receber de braços abertos o novo aninho que está aí mesmo a rebentar =P
Ficar a queixar-me de que as férias foram curtas não adianta nada e ansiar pelas seguintes só torna tudo mais lento e desesperante..!
Melhor solução?
Agarrar-me à certeza de que está a chegar um ano decisivo, um ano que traz consigo tudo: princípios, continuações, fins, mudanças..É bom que traga tudo isto, só quer dizer que não estamos parados.
E, para evitar demasiadas especulações frágeis, algo que "Os Maias" me ensinaram xD :
"(...) Nada desejar e nada recear...Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves.(...)"
Eça de Queirós, Os Maias
Chama-se fatalismo muçulmano. Evitando crenças e afins, até encontro alguma razão nesta teoria. Torna tudo menos complicado, mais simples, apesar de também ter o seu quê de "preguiça" em relação à vida....Mas também nunca vi uma teoria em que não se pudesse pegar numa ponta e enunciar alguns defeitos e contradições. É esta a magia das teorias =P.
Enfim, inevitavelmente chegou a altura de dizer:
"Bye bye summer ! See you next year =') "

http://www.youtube.com/watch?v=YQn_c_d9YdA

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domingo, 13 de setembro de 2009

O Jornal

Na manhã seguinte, o Jornal estaria nas bancas. Um novo Jornal, um novo projecto em que se trabalhava há já algum tempo. Sentados na sala de reuniões, ao princípio da noite, alguns dos responsáveis por este jornal evitavam ir para casa, como se o simples facto de se afastarem alguns quilómetros da recente redacção representasse já a ruína do seu trabalho. Tinham trabalhado com tanto afinco e entusiasmo e agora, que chegara a hora decisiva da publicação, as inseguranças começavam a espreitar pela porta semi-aberta da redacção...
Os jornalistas receavam que os seus textos não fossem bem explícitos e que, em algum instante, não obedecessem às regras de um bom texto jornalístico. Receavam que se tivessem alongado demais ou que as suas palavras não fossem as suficientes. Ficavam inquietos com a hipótese de algum erro ortográfico figurar entre os seus textos (uma coisa tão feia em textos que pretendiam ser tão bonitos). Questionavam as suas escolhas, questionavam-se a si mesmos...
Os colunistas apavoravam-se com o facto das suas crónicas serem, indevidamente, mal interpretadas por alguém.
Os fotógrafos já não sabiam bem se tinham entregue as fotos certas, pois confundiam-se no meio de tantas imagens recolhidas. Era suposto ser a foto nº342 e não a nº811... E aquela foto ali deveria ter sido tirada de outro ângulo, não favorece nada o Ministro! Devia ter aplicado outro efeito, aquele não era o mais adequado...
O Director do Jornal indagava se o seu novo investimento teria algum lucro (nem ele sabe bem que espécie de lucro deseja...), se corresponderia às expectativas dos leitores (que expectativas seriam essas?) e se ocuparia um lugar com visibilidade neste mundo (por mais simples que esse lugar seja). Começam a assumar já, no seu pensamento, possibilidades de melhorias deste jornal, vejam lá, ainda só agora foi lançado!
Enfim, todas as ínfimas partes participantes na elaboração destas páginas põem em causa o seu trabalho, reflectem e chegam à conclusão que tudo podia ter sido feito de uma outra forma. Mas agora já é tarde demais - o jornal já foi para a gráfica, consta que uns quantos exemplares já estão impressos.
Na manhã seguinte, lá está ele nas bancas.
Os colaboradores do jornal observam, atentos, o impacto da sua "obra-prima" no público :
uns nem sequer vêem que ele lá está, o novo jornal;
outros reparam superficialmente nele, mas nem lhe tocam;
outros há ainda que reparam nele e folheiam, mas não compram;
alguns folheiam, e, com algumas dúvidas, acabam por comprar;
outros compram imediatamente, sem sequer dar uma vista de olhos pelas primeiras páginas;
E até para quem compra existem vários caminhos possíveis:
deixá-lo cair no cesto das revistas lá de casa e não mais dar pela sua existência;
ler os títulos e deitar fora;
ler na diagonal e voltar a comprar o jornal de vez em quando;
ler nas entrelinhas e ficar apaixonado.
Na redacção, já todos estão apaixonados. E, por tão apaixonados que estão, continuam o seu trabalho só por essa simples razão e também para que alguém possa continuar a ter a sua reacção, tão legítima como ficar apaixonado - são as reacções ao jornal que já referi acima e tantas outras que não consigo imaginar, por tão pessoais que possam ser.
E é tudo isto que faz do jornal algo que, efectivamente, existe.
É bom existir.
Os receios na redacção continuam, mas já se voltaram a esconder atrás da porta semi-aberta.
É bom que não desapareçam - assim seria tudo demasiado fácil.
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sábado, 12 de setembro de 2009

"Andava muito triste porque não tinha sapatos.
Até ao dia em que vi alguém sem pés."
Provérbio Persa
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Oh, se eu ao menos pudesse ter uma vida de sensações em vez de uma vida de pensamentos."
John Keats, poeta inglês.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"It's all in my head, that's just not reality..."

A carta que nunca foi escrita, enviada ou recebida. A carta que nunca teve palavras.
A fotografia que nunca foi tirada e emoldurada. A fotografia que nunca teve cores.
O convite que nunca foi feito, aceite ou recusado. O convite que nunca existiu.
O livro que nunca foi escrito, publicado ou lido. O livro que nunca teve páginas.
A música que nunca foi composta, tocada e ouvida. A música que nunca teve som.
O quadro que nunca foi pintado, exposto, visto, apreciado ou detestado. O quadro que nunca teve tinta.
A festa que nunca começou nem acabou. A festa que nunca foi festa.
O jantar que nunca foi cozinhado nem saboreado. O jantar que nunca teve sabor.
O relógio que nunca deu as horas certas. O relógio que nunca teve ponteiros nem números.
O sol que nunca nasceu nem se pôs. O sol que nunca brilhou.
O sorriso que nunca foi alegre nem triste. O sorriso que nunca sorriu.
O dia que nunca teve 24 horas. O dia que nunca aconteceu.
O monstro que nunca assustou ninguém. O monstro que nunca cumpriu a sua missão.
A chuva que nunca caiu. A chuva que nunca foi água.
It's all in my head, that's just not reality...
Mas um dia...
a carta vai ter palavras. Vou escrevê-las.
a fotografia vai ter cores. Vou pintá-la.
o convite vai existir. Vou aceitá-lo.
o livro vai ter páginas. Vou acrescentá-las.
a música vai ter som. Vou ouvi-la.
o quadro vai ter tinta. Vou apreciá-lo.
a festa vai ser festa. Vou vivê-la.
o jantar vai ter sabor. Vou saboreá-lo.
o relógio vai ter ponteiros. Vou construí-los.
o sol vai brilhar. Vou brilhar com ele.
o sorriso vai sorrir. Vou sorrir com ele.
o dia vai acontecer. Vou ter 24 horas com ele.
o monstro vai cumprir a sua missão. Vou ajudá-lo.
a chuva vai ser água. Vou vê-la cair.
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"It's all in my head, that's just not reality" - citação da música - All in my head, Nick Lachey