quinta-feira, 26 de agosto de 2010



Vi o Toy Story 3.
Não vou relatar o filme pois isso não passaria de um spoiler.
Vou antes dizer que fechei a minha infância.

O Andy cresceu ao mesmo tempo que eu.
Quando ele brincava com o Woody e com o Buzz, eu brincava com os muitos brinquedos que coloriam o meu quarto.
Quando ele inventava histórias fantásticas com outros brinquedos, eu também o fazia, com a mesma dose de imaginação e magia.
Quando ele delirava a desembrulhar presentes de Natal e de aniversário, eu estava igualmente empolgada com essas ocasiões. (Só não sei se os meus brinquedos também me espiavam, receosos da nova concorrência que aí vinha...).

Eu cresci com o Andy. Cresci com o Toy Story. E como não parámos de crescer, este ano o Andy também vai para a faculdade. Seremos os dois caloiros no próximo ano lectivo.

Ao ver o Toy Story 3, apercebi-me de como fui uma criança feliz. Brinquei tudo o que tinha a brincar, despreocupadamente. Os meus brinquedos foram companheiros fiéis, sempre a meu lado, mesmo sabendo que puderiam sofrer mazelas de marcadores, perder algumas peças de roupa ou viver aventuras demasiado perigosas para os seus pequenos corações. Mas eles estavam sempre lá, a toda a hora. Nos dias em que não havia infantário e faltava um mano ou uma mana para brincar, eles continuavam lá.

Mas os 8 rapidamente se tranformaram em 18 e, tal como o Andy, chegou o difícil momento de acabar o recreio. O derradeiro momento de dizer "Obrigado, malta!". Não foi agora, é um processo que já se vem a desenrolar há alguns aninhos. O recreio começou a acabar. Progressivamente, os brinquedos foram desaparecendo do meu quarto; primeiro os que não me diziam tanto e, pouco a pouco, os outros. Seguiam diversos destinos - casa da avó, sótão, outros eram dados. Hoje, no meu quarto, dos velhos companheiros de brincadeira, perduram uns dois ou três - os mais especiais.

O Toy Story fez-me ver que este é o percurso natural das coisas. Pertenço a uma geração, logo, cresço com ela. Não fazia sentido se fosse de outra maneira. Nem eu queria que fosse de outra maneira. Eu sou "Rei Leão", "Corcunda de Notre Dame", "Aladino", "Pocahontas"... - não sou Noddy, Hannah Montana ou Ruca. Não estou a desvalorizar estes últimos, estou apenas a dizer que pertencem a outra geração, geração essa que guardará tão boas recordações deles como eu guardo do meus.

A minha infância está guardada num sótão sem pó nem teias de aranha. Um sótão cheio de luz, tal como ela. Cada vez percebo isso melhor. Está lá guardada enquanto eu continuo o caminho da minha geração. Brevemente terá visitas: adolescência, idade adulta, velhice... Um sótão tem que estar recheado de coisas boas. E não é vergonha nenhuma, de vez em quando, pegar na chave do sótão e abrir a porta por uns momentos: encontrar, por acaso, um velho brinquedo e recordar histórias, ver fotografias e esboçar um sorriso de saudade, falar de certas situações e sentir um pequeno nó na garganta que se quer desatar...


Aconselho o Toy Story 3. É um bom filme :')

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" A descoberta consiste em ver o que todo o mundo viu e pensar o que ninguém pensou. "

A. Szent-Gyorgyi

Ver. Pensar. Descobrir.
É isso.

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" Saberemos cada vez menos o que é um ser humano "

Livro das Previsões




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Prédios, marginal, árvores, mar


   Arrasto a porta que dá acesso à varanda da sala e atravesso-a, decidida, até ao parapeito (não dou mais do que dois pequenos passos). Encosto a minha barriga contra a varanda e apoio os meus braços no parapeito, o mais esticados possivel - entre uma mão e outra, talvez mais do que um metro. Estou precisamente na posição de quem aprecia uma paisagem, do alto de uma varanda. É isso que faço.

   Olho para o meu lado direito e vejo uma marginal. O mais à direita possível do meu campo visual estão prédios. Prédios altos e imponentes mas, ao mesmo tempo, têm alguma coisa de frágil. As suas diferenças (de altitude, de cor, de forma) tornam-nos estranhamente iguais, ali, a servirem de margem à marginal. O prédio onde estou não é mais do que uma continuação destes, situado um pouco mais à frente. Penso que os hotéis são os  prédios mais bonitos, essencialmente por causa da luz. Os restantes prédios também têm luz, mas são luzes que nascem dentro de casas, aprisionadas entre paredes e que, esporadicamente, conseguem escapar através dos vidros de uma janela de cortinados afastados. As luzes dos hotéis são mais livres e mais brilhantes - são mais luzes (pelo menos deixam essa impressão).

   Começo a desviar o meu olhar um pouco mais para a esquerda. A marginal em si - pedra da calçada, pessoas a pisarem-na. Nada que mereça especial relevo, tirando talvez o facto de parecer que se estende infinitamente até um sítio que eu não sou capaz de avistar, do alto da minha varanda.

   Encaminho, então, o meu olhar mais para a esquerda. Uma espécie de jardim. Muitas árvores que abanam perigosamente, na minha opinião, talvez devido à brisa muito fresca que sopra. Lembro-me que devia ter secado o cabelo mas também agora já não vale a pena - até sabe bem. Reparo que as árvores são completamente diferentes entre si. Todas estão desajustadas em relação à paisagem em que se inserem - fariam mais sentido num país tropical. Não falo só da palmeira, mas também das outras, aquelas de que eu desconheço o nome. Se calhar devia chamar-lhes pinheiros ou plátanos mas concluo que seria estúpido. Seria o mesmo que quem não sabe o meu nome me decidisse chamar Felismina. E visto que estúpido foi este paralelismo, decido olhar para outra coisa.

   Por trás das árvores, bem escondidas, estão três cores. Uma lista de azul muito escuro em cima que vai clareando até se transformar numa lista de um azul mais claro. Por último, uma terceira lista laranja, a qual se poderia desdobrar numa lista mais fininha amarela, se eu quisesse dizê-lo... Parece uma qualquer bandeira nacional. Resumindo: pôr-do-sol. Por trás de árvores das quais só conheço a palmeira.

   Olho, agora, a última parte desta paisagem que me é permitida observar do lugar onde me encontro (talvez seja a mais bonita de todas) : o mar. A cereja em cima do bolo, o ponto final da frase, os retoques finais da pintura. Apercebo-me que para tornar qualquer paisagem bonita basta completá-la com um bocado de mar. É certo que existem paisagens lindíssimas sem mar, mas aquela porção de água azul dá sempre o toque final. Há alguma ondulação (não esqueçamos que está vento e eu continuo de cabelo molhado) mas o oceano continua a transmitir calma. Seria uma bela fotografia mas recuso-me a aprisionar aquele pedaço de mar dentro de uma máquina fotográfica digital - prefiro deixá-lo ali - a navegar, a nadar, a mergulhar em si mesmo.

Prédios, marginal, árvores, mar.
1 - Se calhar devia ter feito outra coisa qualquer.
1 - Se calhar devia ter tido outra atitude.
1 - Se calhar fiz bem e acho que não.
1 - Se calhar ainda me vou arrepender...
... ou se calhar não.
2 - Se calhar vai valer a pena.
3 - Se calhar não me devia importar.
2 - Se calhar devia esperar para ver.
4 - Se calhar não devia estar à espera de mais.
5 - Se calhar era melhor ir para dentro porque o meu cabelo não há meio de secar.
Prédios, marginal, árvores, mar.

O mar? O futuro inspirador que vislumbro, sem saber se alguma vez chegará.

Recolho-me dentro de casa.
O que é que há lá? A minha vida, de onde eu avisto prédios, marginal, árvores, mar.

Repete:

Prédios, marginal, árvores, mar.
Prédios, marginal, árvores, mar.
Prédios, marginal, árvores, mar.






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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

I guess I'm dreaming again...




Bom ou mau? Não sei, mas já tinha saudades...





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domingo, 1 de agosto de 2010

[ a banhos algarvios durante um mês ]



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INTEIRA

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