O sol era forte mas não queimava. Brilhava e iluminava a rua, lá fora. Eu aproximei-me da janela para sentir aquela manhã fresca. Queria compensar a noite gelada que passei em claro. De manhã, as coisas são sempre mais fáceis e eu ia à procura de uma calma solução matinal. Saí de casa. Percebi que fiz bem em ir passar o fim de semana fora, a um sítio totalmente desconhecido. Ruas novas (mas tão familiares), caras estranhas (mas tão parecidas a algumas que vi em tempos). Não havia ninguém cá fora, ainda era cedo. A manhã fresca invadia-me a cara, refrescava-me os pensamentos. Arrependi-me de tudo o que não disse, quis corrigir tudo o que disse mal. Agradeci os momentos em que disse tudo. Quis repeti-los e sabia que isso não era possível. Não faz mal, vou antes deitar-me no chão, ao pé daquela árvore. As pontas da minha camisola abanam com a brisa. Desenham linhas invisíveis no ar que escrevem a minha história. Do que eu me esqueci... Ficou tudo lá atrás. O nó na garganta vai-se desatando enquanto passamos do meio-dia. Encosto-me ao tronco da árvore, reclino a cabeça. Páro o tempo, lembro-me de ti, dou-te a mão. Digo obrigada e vejo aquele filme outra vez. Fecho a janela e perco a noção do espaço. Espero infinitamente. A luz da manhã nunca desaparece se tivermos o cuidado de a manter connosco. Soletro as palavras que ouvi por acaso. Aproprio-me do que não é meu. Fico com frio porque já é noite. Passaram séculos e continuo aqui. Na esperança que seja hoje. Na esperança que não seja amanhã. Tudo o que faz sentido vem depois. Este fim de semana não acaba. É meu para sempre. Conta-me histórias que sejam uma mentira. Só tu me sabes enganar. Ponho o telemóvel no silêncio para ele não tocar alto; não quero os vossos olhares reprovadores sobre mim. Diz qualquer coisa, escreve-me uma carta, tira-me uma fotografia. Se fosse tudo tão fácil como o teu sorriso... Compro terras de ninguém e agora são minhas. Assinei o termo de propriedade. Falsifiquei uma assinatura mas isso ninguém sabe. Não contes. Mas conta comigo. Porque é que tornaram o açúcar amargo? Vontade de gritar. E esta insónia que não passa. Está decidido: vou passar o próximo fim de semana fora.
sábado, 19 de novembro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
P.S.
Finalmente chegou o dia em que as promessas se concretizaram. As mordaças caíram de podres, de gastas; ficaram para trás. Já era insustentável andar sempre com elas. Mais do que uma, vinte ou trinta. Pesavam mais que chumbo. Construídas por tantas personalidades, elas eram asfixiantes. Altifalantes nuns casos, mordaças em outros. As opiniões próprias não são assim tão importantes. Convence-te disso. Eu não quero saber, ele não quer saber, ela não quer saber. Os singulares não querem saber, muito menos os singulares inseridos nos plurais que, ao fim e ao cabo, somos todos. Sim, isso até é giro, isso até é interessante... - não partilhes, corres o risco de o deteriorar. Põe uma mordaça real - vais ver que é engraçado. Somos todos umas personalidades únicas. Eu já tenho a minha, não preciso necessariamente de conhecer a tua, por mais que a tentes impor. Já não estava a dar. Vocês falam alto demais. Fazem ruído, fazem barulho. É desagradável. Gosto de sítios onde não há este género de chinfrineira, fora do barulho que não me interessa. Já não sou a mesma quando mudo as palavras, quando altero o sentido, quando olho para trás. Quanto de mim é que já me tiraram? Quanto de mim é que eu já perdi? Quanto de mim é que nunca tive? Quanto de mim é que nunca vou ter? E tudo de mim. Deram-me demais, tive de menos. Agora já não sei como aproveitar, já não sei o que fazer. Perdida no meio da barafunda barulhenta de vozes tão importantes. Quero voltar para trás para ir buscar algumas coisas de que me esqueci. Falam-me frequentemente delas, mas onde é que eu as deixei? Há tanta censura dissimulada. Tantas mordaças. Tanta poesia que não é escrita por causa disso. Demasiadas folhas que nunca saem da gaveta, embora diversas tentativas sejam levadas a cabo nesse sentido. Sempre convencida de que ninguém quer saber, e talvez não queiram mesmo. Mas isso não é condenável. Sejam felizes. Usam-se citações para esconder inseguranças. Alguns fazem-no, outros deviam fazê-lo. Todos correm à minha volta, cada um numa alucinação própria. Procuram algo que só eles sabem o que é, embora achem que estão enganados. É confusa, esta corrida. Talvez porque não é, de todo, uma corrida, e estamos a encará-la como tal. Tantas coisas úteis que são feitas, parabéns. Era tão bom se pudesse estar noutro espaço sem ouvir a chinfrineira ao fundo, a atordoar-me o pensamento, sem cessar. São prioridades mal estabelecidas, que hei-de fazer? Uma má calendarização, azar. Uma cópia fraca, onde a pontuação altera tudo. De uma vez por todas. Deixar a chinfrineira dominar até ao momento em que os sons calmos me chamam à razão e explicam tudo, mostram-me a verdade. Impossível de saber se sim ou se não. O que eu disse não se confirmou e há sempre alguém para servir de testemunha ocular. A sério, parabéns. Fantástico. Muito bom. Excelente. Nem sei como é que mais ninguém reparou. Até sei, mas pronto... Falta a mordaça. Isto é uma história impedida de ter um final feliz. Falta interesse, falta motivação, falta apoio, falta paixão. O que não falta, está lá tudo, como sempre. Isso não é surpresa. Vou escrever esta história e escondê-la no melhor sítio que encontrar, com esperança de que alguém a venha a ler no futuro, se apaixone por ela e a torne real. Que a traga para o plano da realidade, imitando o que muitos dizem. Se não agora, pelo menos depois. Eu acredito que sim e sou capaz de acreditar sozinha nisto. Na verdade, não é preciso mais ninguém. Isto toda a gente escreve. É impossível de organizar. Não o quero fazer, porque a essência está na desorganização. Vejo o final, o intermédio é o principal obstáculo. E algo se mete à frente. Poluição sonora, que surpresa. Digam o que quiserem, o meu avião já descolou há muito tempo. Olho pela janela. Parece que algo voltou quando outro algo se foi embora. Parece que não dá para ter tudo ao mesmo tempo. Eu sei disso há muito, mas deixei vencer a teimosia. Um dia tu vais ler esta história. Vais achar que ela podia muito bem ter sido escrita por ti. E podia. É que podia mesmo. Acrescenta-lhe algo teu. Se não o fizeres, a oportunidade vai passar para as mãos de quem está ao teu lado, mesmo à frente do teu nariz. Não vais saber o que sentir em relação a isso. Demasiadas palavras, demasiadas palavras. Muita fúria, pouca lógica mas, acima de tudo, o gozo pretendido. Alegria momentânea, muito complicado. Tenta por isto num P.S., não merece mais. Uma breve nota esquecida. Tanto me faz, tanto me fez. Pela primeira vez, é indiferente e não vou ligar a isso. Não podia ser melhor.
@
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
" Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…”
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…”
Fernando Pessoa
Um dia vou construir um castelo.
@
terça-feira, 6 de setembro de 2011
"
"
Qualquer coisa em Kaikoura
Não é a primeira vez que passo em Kaikoura. Da outra vez foi uma paragem de alguns minutos para mudar de autocarro. Desta vez estaciono por uns dias. Agora, pergunto-me onde tinha a cabeça, ou a alma, da outra vez. Por que não aproveitei, na altura? Se calhar não tinha ainda a maturidade para sentir o que sinto nestes primeiros dias de Outono, para ver e pensar e concluir que não há outro sítio no mundo que eu trocasse por este, por agora.
Recordo apenas um facto, dessa outra vez em Kaikoura. Recordo-o bem, porque na altura escrevi-o nas páginas do Expresso. Foi em meados de 2001, um texto sobre uma viagem pela ilha do Sul da Nova Zelândia. Quando o autocarro arrancou, uma passageira, uma inglesa, recebeu uma chamada intercontinental no telemóvel. Respondeu, explicou onde estava e acrescentou, rindo, forte, que nunca se tinha sentido tão viva antes na sua vida. A sua alegria era profunda e misteriosa. Nunca lhe perguntei porque se sentia assim, em Kaikoura. Mas apontei num caderno a sua frase, e nunca mais a esqueci: "I have never been so alive in my life."
Não é verdade que o planeta seja redondo. É armilar. Anda-se às voltas e nunca se regressa ao mesmo sítio. A estrada,sim, passa por lá; mas o tempo também passa, e leva de nós o que fomos antes. Falta-nos o mesmo momento para podermos regressar ao mesmo sítio. Regressamos já outros, e compreendemos que o sítio já não é o mesmo.
Este processo é apenas uma faceta dessa caminhada existencial que se chama maturidade. Por vezes, a maturidade trabalha a favor do viajante; por vezes é-lhe contrária. Gostei mais do Equador com vinte e cinco anos que agora com quarenta; mais de São Francisco com quarenta, agora, que com vinte e cinco antes. De Veneza gosto sempre, mas é sempre de uma Veneza diferente - são os anos inseridos no meu olhar que reinventam a cidade em cada nova visita. E de Kaikoura, não tenho comparação porque a primeira vez passou despercebida.
Creio que sei porquê. Nessa viagem anterior, como em tudo o que fazia então, tinha urgência de prosseguir, de continuar, de ver mais. O meu objectivo era o de descer toda a ilha do Sul até tocar o Bluff, um dos pontos mais meridionais do planeta. Fui saltando de boleia em boleia. Quando não passava ninguém e começava a chover - chove sempre nas fronteiras do mundo - então esperava num terminal rodoviário e apanhava um autocarro. Foi numa dessas ocasiões que apontei o "nunca estive tão vivo na vida". Uma vez segui também de comboio, porque aquele troço ferroviário é um dos mais espectaculares do Hemisfério Sul. E nunca parava.
O meu objectivo na altura era atravessar; hoje é, cada vez mais, permanecer. Chego a Kaikoura e interrompo a viagem. Começa outra, introspectiva, epidérmica, contemplativa. Há qualquer coisa em Kaikoura que assenta como uma luva nos anos em que me encontro, naquilo que sou. Talvez o mar, que é escuro e mexido mas também limpo e intacto, vital. Talvez as montanhas: uma ramificação da grande cordilheira alpina que se afasta do eixo central norte-sul, paralelo ao litoral e que se desvia para leste até cair a pique sobre o Pacífico. Talvez o encontro: montanha e mar.
Há qualquer coisa em Kaikoura. Talvez a dimensão de cada casa, e de todas as casas dispersas dentro do espaço que as envolve. Talvez a gente, pouca gente, talvez o clima, muito frio, talvez a região demarcada de vinho branco, o peixe fresco, a fruta local, a economia local, uma espécie de auto-suficiência que é muito diferente da auto-suficiência dos vales do Afeganistão ou dos arrozais das Filipinas. Uma auto-suficiência civilizacional.
Talvez as caminhadas. Kaikoura serve para caminhar: praias desertas e infinitas, grandes florestas, colinas suaves, prados entre montanhas. E caminhar possui um ritmo homeopático que permite pensar. Penso na lagosta, um dos principais produtos da economia local. Alguma vez algum autor de ficção científica, ao conceber um extraterrestre, teria tido imaginação suficiente para imaginar uma lagosta? Se ela não existisse, nunca teria sido imaginada. Penso na mulher grávida que me serviu um café esta manhã - e que autor poderia conceber uma divisão tão desproporcionada da continuidade da espécie humana? Ou seja, a mulher que aguenta com quase todo processo de geração; o homem que se limita a assistir aos restantes nove meses depois da primeira fracção de segundo. Se não existíssemos, ninguém nos teria jamais imaginado. Kaikoura serve para divagar e eu divago: "Acho que nunca estive tão vivo na minha vida."
Quem sabe onde se situará Kaikoura daqui a uns anos, quando eu a procurar de novo. Talvez seja demasiado fria, demasiado vazia de gente, demasiado auto-suficiente. Talvez eu não seja suficiente. O mundo não é redondo, mas o destino sabe dar-lhe a volta. Pode ser que um dia volte a encontrar Kaikoura, e ela anda me encontre tão cheio de vida como agora.
Gonçalo Cadilhe in "1 km de cada vez", pp- 21-23
Não consegui escolher um excerto, ficou aqui o texto todo.
É o que dá ler um livro do Gonçalo Cadilhe depois de se fazer uma viagem. Tudo parece mais bonito. Mudar os nomes dos lugares, alterar um sentido ou outro... Mas o essencial é igual.
Estar vivos na nossa própria vida e ir permanecendo.
República Checa - Agosto 2011
Dekuji! :D
@
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Dedicatórias
Não mais do que seis ou sete palavras distribuídas, no máximo, por duas linhas. São a tentativa de condensar os sentimentos de um livro inteiro em poucas sílabas. Um resumo falível mas, no entanto, sempre conseguido. Durante a escrita da obra, o autor esquece limites e estende-se em linhas que, rapidamente, ocupam páginas e páginas e páginas. Frente e verso, sempre páginas e páginas. O espaço serve-lhe para expor tudo aquilo que ele quiser: a raiva, o amor, a amizade, a alegria, a tristeza, a desilusão...Tudo o que ele quiser. Com tripla adjectivação e com paráfrases: quem se preocupa com isso? Ninguém, na verdade. Quando o livro está terminado e dele fazem parte tantas coisas, é tempo de dar o remate final. Eu escrevi isto para ti, por estas razões. Agora tenho que resumir. E é aquela meia dúzia de palavras que traduz as realidades que se dispersam por todo o livro. Porque eu só escrevi aquilo para ti e quero que saibas isso. Tudo junto, chamam-lhe dedicatória. Um conjunto tão carregado e tão intenso. Tal e qual como o próprio livro, só que em ponto mais pequeno. Os três milhões do livro apertam-se e ficam só três, mas com a mesma força. Uma sobrecarga eléctrica de sensações.
Porque eu escrevi isto para ti.
@
quarta-feira, 27 de julho de 2011
" Ali, naquele mar sereno mas nunca em calma, sobre aquela silenciosa besta que retesava os músculos preparando-se para o abraço polar, sob os milhares de estrelas que testemunhavam a frágil e efémera existência humana, soube por fim que eu era dali, que, mesmo que faltasse ao encontro, andariam sempre comigo os elementos daquela paz terrível e violenta, precursora de todos os milagres e de todas as catástrofes. "
Luís Sepúlveda in Mundo do Fim do Mundo
Eu sou dali. Somos todos, só que alguns demoram mais tempo a descobri-lo. Eu já descobri que sou dali. E não quero ser de outro sítio senão dali.
@
terça-feira, 26 de julho de 2011
" Quem se limita a viver o momento, o dia a dia, não tem dúvidas. As dúvidas são para quem pensa no futuro. A dúvida é, por isso, saudável. É a vida. "
in Revista Única
Uma visão positiva do que nos atormenta a cabeça, massacra o pensamento e atordoa as decisões. Queremos eliminá-las mas afinal elas são a vida.
@
quinta-feira, 21 de julho de 2011
" Estar em minoria, mesmo sendo uma minoria de um só, não era sinal de loucura. Havia a verdade e havia a mentira, e quem se agarrasse à verdade, nem que fosse contra o mundo inteiro, não passaria a ser louco por isso."
George Orwell, "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro"
Aquela pessoa não é louca por ir contra o mundo inteiro, sozinha, sem ajuda. No íntimo, há quem lhe chame pior que louca mas é só porque ela tem a loucura que falta a quem se deixa ficar para trás para ser arrastado pela multidão em fúria que segue, em massa, no sentido contrário à pessoa louca.
Chamem-lhe louca mas ao menos ela agarra-se à verdade e voa com ela. Sobrevoa a multidão que a queria atropelar. A multidão agarra-se à mentira e enterra-se com ela. Desaparece para o profundo que nunca mais a vai deixar respirar.
@
" Quem mais firmemente acredita na conquista do mundo são os que a sabem impossível "
George Orwell, "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro"
É o gozo de pensar o inalcançável, tão perfeito, tão inquebrável, tão próprio. Acredita-se simplesmente porque se tem a certeza de nunca chegar lá. Sabemos que, se um dia, porventura, lá entrássemos, a desilusão seria pouco. O cansaço arde quando nos aproximamos do idealizado. Desistimos a meio do caminho, só porque sabemos que a meta nunca será cortada. Então é o gosto de acreditar no impossível - e ninguém nos vai criticar por isso, e ninguém vai escarnecer do nosso falhanço, e o sentimento de dever cumprido é tão intenso. O impossível nas inúmeras possibilidades. A única coisa em que acreditamos porque sabemos que acreditar não traz consequências. Podemos acreditar até ao fim só pelo facto de não haver fim. Assim, a crença é eterna. Os horizontes crescem sem limites.
O impossível é o melhor que há para se acreditar.
@
sexta-feira, 8 de julho de 2011
" (...) os livros melhores são justamente os que nos dizem aquilo que já sabemos. "
George Orwell, "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro"
A verdade está sempre diante dos nossos olhos, por mais que pareça que não. Nada no mundo é novo. A pólvora já foi descoberta, será difícil descobrir outra. É mais do mesmo. Nada se cria, tudo se transforma, como se diz de cor. Mas a sensação é diferente quando lemos aquilo que vemos todos os dias, a toda a hora, de tantas formas. As palavras escritas materializam a realidade e conferem-lhe razão. Pensamos: "Que frase bonita". É uma frase simples, comum. Brilha pela sua simplicidade. Então, porque sempre soubemos o que ela diz mas nunca nos apercebemos realmente do seu conteúdo, ela é, para nós, a melhor frase do mundo. As coisas descomplicadas sabem bem. Não nos são estranhas porque as entendemos e, principalmente, porque as sentimos. Estão integradas na nossa vida. Ninguém gosta daquilo que não percebe, daquilo que não sente, daquilo que não conhece. Constatar o óbvio traz sempre um sentimento de conforto, de segurança.
Estamos em casa.
@[Identificar o Óbvio]
quarta-feira, 6 de julho de 2011
«So promise me only one thing, would you?
Just don't ever make me promises»
Promises, promises - Incubus
Escrevemos muitas vezes em papéis timbrados e selados. Associamos a nossa assinatura a muitas causas e, assim, comprometemo-nos. Juramos. Damos a nossa palavra e, mais que isso, damos a nossa palavra de escuteiros (coisa que todos fomos). Assumimos compromissos. Seguimos religiosamente promessas.
Prometemos.
Vou-te fazer a pessoa mais feliz do mundo
Vou-te matar
Vou-te buscar às oito
Amanhã passo por tua casa
Nunca mais falo contigo
Eu empresto-te esse DVD
No próximo fim-de-semana vamos dar uma volta à praia
Hoje faço o jantar
E fazemos tudo isto, e não fazemos nada disto. A promessa é só um acto social. No fim, pode ser cumprida mas, se não o for, as consequências não são graves. Melhor: as consequências não existem. A resposta é fazer promessas para nós próprios. Assim, elas existem mas não correm o risco de se tornarem fraudes.
Promete-me isto.
@[Identificar a Promessa]
sexta-feira, 1 de julho de 2011
O momento fugiu sem que eu o conseguisse apanhar. Nem sequer escapou por entre os dedos, foi mais rápido que isso. Quando dei por mim, já não dei por ele. Era o avião luminoso que se afastava no céu negro da noite. Era a leve ondulação do rio que não dura muito e passa despercebida. Era a leve brisa de vento que só foi capaz de abanar três ou quatro folhas de uma árvore. Era o brilho da cidade do sítio onde eu a vejo, do sítio onde estou. Percebi que já não valia a pena. O momento fugiu. Não sei que jogo estou a jogar: não sei se é à apanhada, não sei se é às escondidas. Acho que já não tenho idade para jogar estes jogos, pelo menos publicamente. O momento obriga-me a jogá-los. Obriga? Quem foge não dita obrigações. Quem se esconde também não. Fugi também eu. Fugi para um sítio onde o momento não me vai poder encontrar. De certo modo, brinco à apanhada e às escondidas ao mesmo tempo, num só jogo, e nem dou por nada. Permaneço na ignorância e só vocês o sabem. Ninguém sabe para onde eu fugi. Se, por causa de uma qualquer fuga de informação, alguém descobrir para onde eu fui, não me preocupo muito com isso: mesmo que saibam onde estou, estando lá, não vão saber onde me escondi. Por isso, não adianta muito saberem o primeiro dado. Agarrei a paisagem que me faz sentir tão bem. Também ela era uma fugitiva. Aparecia durante uns minutos e depois evaporava-se. Bem, ela não se evaporava; o que desaparecia era a sensação e o pensamento que ela provocava. Desaparecia o momento, no fundo. Era um daqueles momentos fugitivos, que atacam forte mas morrem depressa. Daqueles que queremos agarrar para serem nossos para sempre mas que nunca serão de ninguém. São só deles próprios. Queremos sentir-nos sempre daquela maneira, mas isso é impossível. A emoção repete-se noutros contextos, tão distintos entre si. E, de certa forma, é essa a piada. É disso que gostamos.
@[identificar a Fuga]
terça-feira, 21 de junho de 2011
"Compreendo como, não compreendo porquê."
George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro
O processo é mais claro do que a razão. Explica melhor as suas razões, enquanto que a razão não tem nenhuma razão última que a explique. Percebemos a sequência, por isso a catalogamos de "lógica". Como na Matemática. Mas, quando chega o resultado, o que é que ele significa? Não percebemos. É só uma coisa estranha, uma dedução, uma indução, uma consequência, uma derivação. Devíamos perceber o fim dos princípios e dos meios que entendemos na perfeição. Só que, (in)felizmente, tal não acontece. Paciência e encolhemos os ombros. Talvez o fim não tenha que ser lógico ou, quem sabe, continuidades entendidas originem finais desentendidos. Não vale a pena tentar descodificar. As razões foram feitas para não terem racionalidade.Ficamo-nos pelos processos, tão simples e tão básicos. Tão parecidos com tanta coisa.
@[identificar a Razão]
domingo, 19 de junho de 2011
Quando as palavras não têm que fazer sentido (atchim)
O frio que entra pela janela escancarada vem carregado de tudo. Traz sobretudo calor, num contraste de opostos. O frio e o calor misturam-se e o primeiro sobressai, talvez por ser mais forte, talvez porque o segundo desistiu. Quem pode dar certezas? Eu não, tu provavelmente também sim. Esta mistura gasosa e arejada entra, a rodopiar, por uma qualquer divisão da casa. Não se vê, mas forma uma espiral entrelaçada, perfeita na sua forma. Pouco a pouco, vai-se desvanecendo; cientifica e erradamente, dir-se-ia que se evapora. Para onde? Para dentro de mim não, provavelmente para dentro de nós sim. Já desapareceu na sua extensão. Entrou pela janela, avançou escassos metros, desapareceu. Efémera em todo o seu esplendor. Encontra-a para mim. Se eu a encontrar, dou-ta apenas se não a esconder na minha gaveta secreta, fechada com um cadeado cuja chave se perdeu há muito tempo. É ar que pode ser a respiração de uma vida, o acender de um isqueiro, a superfície de uma asa de pássaro. Tu arriscarias dizer: o interior de um balão para dentro do qual sopraste ontem. Desconheces que o balão tinha um furo e nunca chegou, efectivamente, a estar cheio. Desculpa a desilusão. Isto acontece às vezes: balões que julgamos cheios e que rivalizam com correntes de ar cujo objectivo último passa por provocar constipações. Atchim. Tenho a corrente de ar dentro do nariz. Atchim. Atchim três vezes. Atchim atchim atchim. Mais do que uma onomatopeia, um espirro. Mais do que um espirro, três espirros. Tenho o nariz ranhoso e a janela aberta. Vou assoar-me, depois vou fechar a janela.
Quando as palavras não têm que fazer sentido.
Atchim.
Não estou constipada, a janela está apenas parcialmente aberta e os rodopios de ar são mais que muitos.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Olhares
Leonor lavava o último prato da pilha que, minutos antes, se encontrava em cima do lava-loiças. Olhou para o relógio de parede da cozinha e confirmou as suas suspeitas de que já era tarde: passavam alguns minutos das 4h30. O prato estava lavado, as arrumações estavam feitas. Estava cansada, mas era um cansaço bom. Tinha sido uma noite bem passada. Tinha convidado os amigos para irem jantar lá a casa, uma rotina que adorava mas que, por força de variadas circunstâncias, era cada vez menos rotina. Uns a trabalhar fora do país, outros a trabalhar dentro do país mas "fora do mundo", outros sem trabalho e embrenhados em vidas trabalhosas, enfim, uma carga de trabalhos. Jantares como os deste dia eram para ser aproveitados e todos sabiam isso. Mas não era uma reflexão sobre a amizade que ocupava Leonor, no momento em que concluía a lavagem da loiça do jantar (os amigos tinham ajudado a arrumar uma parte, mas não tudo). Leonor era arquitecta. Desde muito cedo que sentira o apelo da arte, da expressão e da criatividade. 3 anos e fazia desenhos soberbos, 9 anos e ganhou a alcunha de Picasso, 15 e era a irreverência artística em pessoa. A sua grande paixão era o desenho. Quando teve que pensar no futuro, optou pelo curso superior de Arquitectura. Ela costuma dizer que foi um "repente de bom senso", pois a sua veia artística é mais propensa à destruição de paredes do que à sua correcta idealização. Na faculdade, aprendeu regras mas o seu gosto secreto sempre foi quebrá-las. Fazer uma linha recta. Leonor fazia uma linha recta na faculdade. Chegava a casa e fazia um monte de linhas curvas. Utilizar cores neutras. Leonor utilizava cores neutras na faculdade. Chegava a casa e abusava nas cores mais fortes que encontrava. Enfim, a extravagância da rapariga adolescente ainda estava presente agora, na mulher adulta. Na empresa onde trabalhava, era considerada das melhores profissionais e o seu estilo era bastante recto, como lhe exigiam. Mas o seu maior prazer era chegar a casa e fazer as suas criações desregradas. Leonor estava agora a olhar para uma dessas criações desregradas que, sem dúvida, tinha sido a "rainha da noite". Tratava-se de um quadro que andava a pintar há algum tempo e que tinha dado como acabado havia dois ou três dias. Leonor valorizava muito a opinião das pessoas importantes da sua vida, por isso, aproveitou ter os amigos lá em casa para lhes perguntar o que achavam do quadro.
"Vá, pronunciem-se!" - disse Leonor, sem disfarçar o orgulho na sua obra.
A Mariana foi a primeira a falar.
"Sabes que eu adoro todos os teus quadros. Sou incapaz de não gostar de nenhum. E não é por seres minha amiga, é mesmo porque adoro o teu trabalho. Este é capaz de ser um dos teus melhores quadros de sempre. Transmite muita energia. Um mar revolto, agitado, perigoso... Quase que arrisco que é capaz de matar. Um dia de tempestade.. Está muito bom, Nô!"
"Pá, sabes que eu não percebo muito destas cenas de arte, mas acho que tá porreiro." O Rodrigo, com opiniões sempre muito bem fundamentadas. " Mas muito sinceramente, eu não vejo aí mar nenhum... Isso, para mim, é um magote de gente do Futebol Clube do Porto a festejar a vitória no campeonato, na Avenida dos Aliados!"
"Tu tá mas é calado!" O Filipe era benfiquista de gema. " Nônô, vou ser muito sincero contigo: há qualquer coisa neste quadro que me incomoda... Epá, não te sei dizer o que é, mas há aqui alguma coisa que não me faz sentir bem... Eu vejo aqui um céu, mas um céu estranho... Isto mexe um bocado comigo, mas não é de uma maneira boa... Eu sei que não levas a mal a minha sinceridade, pois não?"
"Claro que não, não sejas parvo." Neste momento, Leonor estava, ela própria, a começar a sentir-se estranha. "E tu, Carlinha, diz lá de tua justiça."
Carla sorriu. "Oh Leonor... Olha, vou ser tão sincera quanto o Filipe foi: o teu quadro não me diz nada. Absolutamente nada. Desculpa, eu sei que isto é um bocado mau de se dizer... Mas, para mim, o que está aí é só a cor azul. Eu não vejo aí nenhuma forma...Não sei se gosto ou se não gosto... Estou um bocado indiferente."
"Ok, vamos jantar", disse Leonor. Entre risos, lá foram jantar.
E agora, quase às 5h da manhã, era sobre isto que Leonor pensava. Os amigos eram como irmãos para ela. Não tinha ficado ofendida ou surpreendida com nenhuma das opiniões deles. Já conhecia os eternos e infindáveis elogios da Mariana, o sentido de humor (por vezes irritante) do Rodrigo e a sinceridade do Filipe e da Carla. Assim, ela não estava surpreendida, estava curiosa, incrédula. Estava a questionar-se. Como seria possível que cada um deles tivesse visto uma coisa diferente no quadro? Mais, uma coisa tão diferente. O quadro não era assim tão abstracto. O mais fascinante foi que nenhum deles acertou no verdadeiro motivo do quadro (motivo esse que Leonor preferia, agora, não revelar). A grande dúvida de Leonor era o que legitimaria o que era o verdadeiro motivo do quadro. O que estava lá representado era o que ela tinha em mente quando estava a pintar? Ela achava que sim. Mas quando os amigos olharam para o quadro e viram coisas diferentes da que ela tinha idealizado, qual era o seu poder para dizer: "Não, não é isso que está aí, estás a ver mal!"? Nenhum. Esse poder não existia ou, pelo menos, não lhe pertencia. Assim, ficou calada enquanto os amigos divagavam sobre a temática da pintura. Deixou-se cair em cima do puff da sala, mesmo em frente ao quadro. "E se eu tornasse este quadro público?", pensou. "E se eu o expusesse numa galeria? E se eu divulgasse, de algum modo, a sua imagem na Internet?". Leonor pensou nos amigos. Eram pessoas diferentes entre si, claro. Personalidades bem marcadas e distintas. Mas, no entanto, eles tinham uma base comum, por assim dizer. Tinham crescido na mesma cidade, frequentado a mesma escola. As pessoas das suas relações eram, mais ou menos, as mesmas. Tinham vivências semelhantes, embora diferentes naquilo que, obviamente, tinha que ser diferente. Se entre quatro pessoas com tanto em comum as opiniões sobre o quadro eram tão distintas, como seria se mais pessoas vissem a obra? Leonor, neste ponto, quase que entrou em pânico. Apercebeu-se que alguém poderia ver no seu quadro o fim do mundo, um genocídio, um homicídio, um holocausto, uma cena pornográfica, uma imagem racista ou xenófoba e que ela nada poderia fazer em relação a isso. Ou poderiam desvendar no quadro uma coisa estúpida, uma coisa sem piada. Podiam ver plágio, podiam ver uma coisa feia. Podiam ver tudo e ela não podia fazer nada em relação a isso. Porque o que cada um vê foge ao controlo do outro. Leonor apercebeu-se do risco ao qual se expunha quando pintava. Ganhou consciência de que criar qualquer coisa era um perigo. Ao princípio, ficou humanamente assustada, mas rapidamente passou para o estado de "artisticamente feliz". Ela gostava desta sensação de criar e de tanto poder originar discórdia como concordância. 5h30 da manhã. "Ok, Leonor, vai dormir.", pensou para si mesma. Levantou-se do puff, espreguiçou-se e sorriu ao mesmo tempo. Estava quase a sair da sala quando um outro pensamento lhe ocupou a mente:
A ausência de qualquer olhar é pior do que um olhar mau, bom ou diferente.
Leonor olhou para o quadro. Não tinha medo que vissem nele coisas diferentes. Isso era, até, algo que a maravilhava. Tinha medo era que não olhassem para ele. Bem... não podia controlar o que viam, por isso, também não podia controlar se viam.
"O que é que eu posso fazer...?", perguntou, interiormente, a si própria. "Leonor, ganha juízo, são quase 6h da manhã."
Com uma irreverência artística de 15 anos, Leonor foi-se deitar e deixou o quadro libertar-se um pouco de tantos olhares... Isso também não deve ser nada bom para ele.
sábado, 4 de junho de 2011
2º Semestre - 1º ano
História dos Media - 17
Comunicação e Ciências Sociais - 16
Filosofia da Comunicação - 14 (grande LOL)
Teoria da Imagem e da Representação - 17
Teoria da Notícia - 16
Sou 1/3 licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa.
Faltam 2/3.
Venham eles.
Foi o primeiro ano de faculdade :')
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Porque metade de mim
" (...)
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
(...)
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
(...)
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
(...)
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
(...)
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
(...)
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
(...)
Porque metade de mim é plateia
E a outra metade é canção.
(...)
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."
Oswaldo Montenegro, Metade
Metade, um terço, um quarto, um quinto...
@
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Jorge, Jaime y Julia viajan a Jaén pero Juan José viaja a Gibraltar.
El conejo tiene los ojos rojos pero el perro los tiene marrones.
Ramón come jamón con José y Rosa en Roma.
El perro es marrón pero el gato es negro.
Zulema compra zapatos azules cerca del Palacio de la Zarzuela.
En México hay una jirafa que come paja en lugar de hojas verdes.
En Sevilla muchas mujeres se llaman Rocío, por causa de la virgen.
La eñe es una letra que se encuentra en la palabra España, pañuelo y compañía.
@
El conejo tiene los ojos rojos pero el perro los tiene marrones.
Ramón come jamón con José y Rosa en Roma.
El perro es marrón pero el gato es negro.
Zulema compra zapatos azules cerca del Palacio de la Zarzuela.
En México hay una jirafa que come paja en lugar de hojas verdes.
En Sevilla muchas mujeres se llaman Rocío, por causa de la virgen.
La eñe es una letra que se encuentra en la palabra España, pañuelo y compañía.
Comecei hoje a aprender espanhol. Olé!
@
domingo, 13 de fevereiro de 2011
" O mundo é grande, estamos vivos, que privilégio. "
Alexandra Lucas Coelho in Caderno Afegão
Às vezes estou a ler um livro e aparece uma frase da qual gosto especialmente. Se não houver nenhum lápis à mão que me permita fazer um sublinhado, dobro ligeiramente a ponta superior da página e, assim, não me esqueço que ali há algo que me interessa. Normalmente, essa frase ou parágrafo acaba por vir parar ao blog. De uma página de papel para uma página virtual. Esta já me apareceu há umas semanas em papel, só hoje vos apareceu aqui em virtual.
No entanto, o privilégio é o mesmo.
@
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
"Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido."
Jules Renard in Caderno dos Escritores
O telefone tocou mais de não sei quantas vezes. A campainha soa frenética ao toque de um qualquer dedo. O computador rebenta com toques de aviso de emails a chegar e novas notificações no Facebook. Há muita gente a falar à minha volta e sou convidada a entrar nas suas conversas. A televisão não faz outra coisa sem ser anunciar e noticiar. O rádio toca e as pilhas não acabam. Lá fora há uma imensidão de coisas para fazer, de sítios onde estar - o constante incentivo à vivência. O mundo explode à minha volta, num turbilhão de tudo.
@
Imagem online in https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgegExcXtvzi16hiskR_qX7gVMb1Ef9Ir0nsS9WcPfhCl6DAoc4u11iQ2LrvwMmoglzlTLJ1FETEQrCvBLJ-fD6Twqp8NanBo5i-Vq6pBc5cH6PZcJc2XnesjxfBZTlxK4DYgZU3zxetE4/s1600/escrever.jpg
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Passing grades
A - 80 to 100
B - 75 to 79
C - 60 to 74
Failing grades
D - 55 to 59
E - 0 to 54
Statement of Results
Qualification: Certificate in Advanced English
Score: 74/100
Grade: C
Result: Pass
Quão bom é não ter B por um ponto? x)
(Enfim... Recalcamento, Catarina, recalcamento.)
Se há coisa que tenho vindo a aprender na Faculdade é que o que interessa é passar e não tanto a nota x)
CAE - DONE! ^^
@
Subscrever:
Mensagens (Atom)











