sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Dedicatórias

Não mais do que seis ou sete palavras distribuídas, no máximo, por duas linhas. São a tentativa de condensar os sentimentos de um livro inteiro em poucas sílabas. Um resumo falível mas, no entanto, sempre conseguido. Durante a escrita da obra, o autor esquece limites e estende-se em linhas que, rapidamente, ocupam páginas e páginas e páginas. Frente e verso, sempre páginas e páginas. O espaço serve-lhe para expor tudo aquilo que ele quiser: a raiva, o amor, a amizade, a alegria, a tristeza, a desilusão...Tudo o que ele quiser. Com tripla adjectivação e com paráfrases: quem se preocupa com isso? Ninguém, na verdade. Quando o livro está terminado e dele fazem parte tantas coisas, é tempo de dar o remate final. Eu escrevi isto para ti, por estas razões. Agora tenho que resumir. E é aquela meia dúzia de palavras que traduz as realidades que se dispersam por todo o livro. Porque eu só escrevi aquilo para ti e quero que saibas isso. Tudo junto, chamam-lhe dedicatória. Um conjunto tão carregado e tão intenso. Tal e qual como o próprio livro, só que em ponto mais pequeno. Os três milhões do livro apertam-se e ficam só três, mas com a mesma força. Uma sobrecarga eléctrica de sensações.

Porque eu escrevi isto para ti.

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