sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Primeiro passo de mochila às costas

" É com uma pontinha de preocupação que ponho uma vez mais a mochila às costas, saio de casa, deixo a cidade. Em que me meto desta vez? Sorrio: afinal, a mesma pergunta, as mesmas dúvidas, essa mesma pontinha de preocupação de todas as outras vezes, de todas as outras viagens. Por enquanto preocupo-me apenas com a mesma coisa de sempre: em vencer a inércia e dar o primeiro passo."
Gonçalo Cadilhe em " Nos passos de Magalhães "
E, no final de contas, não é isso que custa sempre, a todos...: vencer a inércia e dar o primeiro passo?
Gostei de perceber e poder confirmar que até mesmo uma pessoa que já percorreu o mundo enfrenta o que eu, tantas vezes, enfrento - o receio de dar o primeiro passo. É tão difícil optar pelo incerto, mudar, tomar decisões... E se escolhermos a opção errada? O que acontece? Poderemos voltar atrás? E se ficarmos sozinhos? Pior...e se quem esperávamos que ficasse connosco for o primeiro a nos abandonar?
Frequentemente, penso que sou só eu a debater-me com este tipo de problemas... Não podia estar mais errada! No segundo a seguir a ter pensado isso, já me apercebi do tremendo erro egocêntrico que cometi ao achar que só eu coloco estas questões. Que só eu é que tenho medo... Sei que não é assim. E o Gonçalo Cadilhe também sabe.
Comecei a ler os livros dele há uns tempos e fiquei imediatamente fã. Trata-se de um jornalista que "passeia" pelo mundo de caderno e caneta na mão, com o objectivo de escrever tudo aquilo que vê para, no fim, enviar uma crónica a ser publicada no jornal Expresso. No entanto, acaba por escrever mais sobre aquilo que sente do que sobre aquilo que vê. Os livros dele são uma autêntica viagem. Facilmente imaginamos que somos nós que vagueamos, de caderno e caneta na mão, por esse globo fora, e não ele. (Atenção, não recebo nada por fazer publicidade aos livros do Gonçalo Cadilhe. xD No entanto, se tiverem curiosidade em ler, ainda bem. Acho que não se vão arrepender! =D ).
De certa forma, é uma pessoa que admiro, maioritariamente por fazer coisas com que eu sonho: viajar pelo mundo, escrever, ser jornalista... Que combinação! =')
Enquanto não chego lá, leio os livros. E aprendo que até uma pessoa que já partilhou casa com pessoas que conhecia há uns minutos, já almoçou refeições que não lembram a ninguém, já arranjou as maneiras mais insólitas de passar fronteiras...tem receio de dar o primeiro passo. E foi esta mesma pessoa que, depois de viajar, viajar, viajar... voltou sempre a casa com uma máquina fotográfica cheia de histórias e livros cheios de imagens da memória de quem passou momentos únicos e que os tenta descrever... embora saiba que, escritos, são bons, mas nunca tão bons como são vividos.
Por essa razão, ele volta sempre a pôr a mochila às costas.
O primeiro passo não deve nunca ser um impedimento - deve ser um impulso.
Muitos primeiros passos de mochila às costas. =)
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