quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Vento

O vento leva-me para longe.
Deixo-me ir, sem saber bem porquê.
E vou, embrulhada no ar forte e invisível.
Não tenho forças para me agarrar às árvores... (já bastaram as vezes que fui contra elas.)
O vento empurra-me e eu não quero ir. O vento puxa-me e ir é o meu maior desejo.
E eu..??
Sou cada vez mais móvel. Sinto-me cada vez mais parada.
Deixa-te baloiçar. Mas tenho mais medo de cair do que de voar alto demais...
Não faz sentido, a culpa é minha e, cada vez mais, sou levada pelo vento.
Vêem-me passar mas não me seguram.
(Vou muito rápido ou passo despercebida entre as nuvens? )
Anoitece e amanhece e o vento não me abandona.
Este vento é frio, é quente demais. É desconfortável e não me conforta.
Quando é que mudas de direcção? Sopra noutro sentido e muda o meu destino. Morre um bocadinho e deixa-me pousar os pés no chão. Eu não peço, apenas te sussurro um segredo... Não finjas que não oiças. Substitui-me pelas folhas que andam caídas pela relva do jardim (elas também não têm destino e vão para onde tu quiseres).
Por um momento, sento-me no telhado de um castelo qualquer e o vento já se esqueceu de mim.
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[ Um dia vou perceber exactamente o significado deste texto... =T muita coisa à primeira, nada à segunda, ou vice-versa @ ]

1 comentário:

RuPanda! =D disse...

O vento...

Adorei este teu texto.
Revejo-me em certas partes, apesar de não me surpreender de estar a fazer uma interpretação completamente errada das tuas palavras e a aplicá-las ao meu estado de espírto.

... bastante provável.

Tu desejas ir, mas não te queres deixar levar? Sabes que não deves ter medo de cair se voares demasiado alto. Não se deve ter, mas tem-se; falo por mim, também. Tentemos pensar menos nas consequências, não ter receio do que poderá não ser.

Se não queres desistir dessa direcção, não desistas. Se queres e não consegues é que é mais complicado. Um momento de reflexão no topo de um "castelo" costuma ajudar.


Eu, pelo menos, ligo a textos profundos. Eu ligo a textos que me façam pensar. Eu digo que os teus textos me fazem questionar e me fazem buscar significado para as tuas frases. Pergunto-me como estarias quando o escreveste, no que pensaste tu concretamente e no que te afligia (ou aflige).

Eu GOSTO dos teus textos!

"Um dia, vou perceber exactamente o significado deste texto"

Assim espero...

@