Ontem foi o dia de Natal.
Queria ter escrito algo antes deste dia, para terminar a desejar um feliz Natal a todos. Acabei por não escrever esse texto. Falta de tempo? Falta de vontade? Falta de inspiração? Não sei, o meu inconsciente o saberá. É certo que ainda nos encontramos na época natalícia (as iluminações de Natal da rua ainda não foram tiradas, os doces ainda não foram todos comidos...)e, afinal, o dia de Natal foi só ontem, mas o meu perfeccionismo exagerado diz-me que, se não escrevi o texto até ontem, já não o vou fazer... Mais vale tarde do que nunca, ok... mas as prendas já foram desembrulhadas, a família já se reuniu à volta da lareira...acho que é preferível fazer outro tipo de abordagem ao Natal. Também não quero deixar esta época passar sem lhe dedicar umas linhas... Pois bem, então, sendo assim...Natal.
Para mim, o Natal é uma época de reflexão. Uma época especial de reflexão. Há quem reflicta na passagem de ano mas eu, na passagem de ano, limito-me a ficar estranhamente nostálgica e essa nostalgia impede-me de reflectir sobre alguma coisa de jeito. Por isso, é no Natal que eu páro um bocadinho, enroscada numa manta ao pé da lareira, ofuscada pelo brilho das luzes da árvore de Natal, e penso.
Penso que gostava de poder mexer nos ponteiros do relógio e nas folhas dos calendários e deslocá-los no tempo; umas vezes para trás, outras vezes para a frente.
Gostava de recuar no tempo e voltar a ter o encanto pelo Natal que tinha em criança. Gostava de voltar a não conseguir dormir na noite
antes de abrir as prendas. Gostava de voltar a sentir aquela curiosidade tão forte pelo conteúdo dos misteriosos embrulhos que se amontoavam à volta da árvore de Natal. E, depois, gostava de correr o risco de os ir abanar e estudar as suas dimensões enquanto os papás iam tomar café. Gostava de correr para a televisão quando passava o anúncio da Leopoldina (hoje em dia, ultrapassado pela Popota Wegue Wegue =T) e cantar bem alto a música que, ainda hoje, todos sabemos de cor, certo? Gostava de folhear outra vez os catálogos de brinquedos do Continente e desejar ardentemente algum brinquedo um tanto ou quanto inútil. Gostava de rasgar sofregamente não só as minhas prendas como também as de toda a restante família e borrifar-me um bocado no pedido da minha mãe para não estragar os laços e os sacos x) Gostava de fazer crer aos meu pais que não sabia que eles guardavam as minhas prendas na última prateleira do roupeiro ou no fundo do armário do escritório. =P Gostava de me lembrar se alguma vez acreditei efectivamente no Pai Natal.
antes de abrir as prendas. Gostava de voltar a sentir aquela curiosidade tão forte pelo conteúdo dos misteriosos embrulhos que se amontoavam à volta da árvore de Natal. E, depois, gostava de correr o risco de os ir abanar e estudar as suas dimensões enquanto os papás iam tomar café. Gostava de correr para a televisão quando passava o anúncio da Leopoldina (hoje em dia, ultrapassado pela Popota Wegue Wegue =T) e cantar bem alto a música que, ainda hoje, todos sabemos de cor, certo? Gostava de folhear outra vez os catálogos de brinquedos do Continente e desejar ardentemente algum brinquedo um tanto ou quanto inútil. Gostava de rasgar sofregamente não só as minhas prendas como também as de toda a restante família e borrifar-me um bocado no pedido da minha mãe para não estragar os laços e os sacos x) Gostava de fazer crer aos meu pais que não sabia que eles guardavam as minhas prendas na última prateleira do roupeiro ou no fundo do armário do escritório. =P Gostava de me lembrar se alguma vez acreditei efectivamente no Pai Natal.Por tudo isto, e por tudo o que isto me faz recordar, era bem capaz de atrasar o calendário uns anos, atrasar o relógio umas infinitas horas.
Por outro lado, há momentos em que não quero recuar. Quero antes avançar. Quero avançar e poder espreitar o meu Natal daqui a 20, 30 anos.
Sózinha, acompanhada ?
Casada, solteira ?
Com filhos, sem filhos ?
Na cidade onde nasci ou do outro lado do mundo?
Feliz, triste?
Com que profissão?
Com que experiências?
Com que certezas, com que dúvidas?
Será que ainda reflectirei nessa altura?
Satisfeita ou não?
Será que ainda manterei este blog?
Será que mudarei muito ou nem por isso?
Será, será será...
E, desta vez, por tudo isto e por tudo o que isto me faz querer, era bem capaz de avançar o calendário uns anos, avançar o relógio umas infinitas horas.
E o presente, e o agora? Sinto que o presente é um momento de transição entre o que tive e o que vou ter. Mas não o desperdiço nem menosprezo. Não recuo o relógio nem avanço o calendário. Simplesmente olho para os embrulhos dourados e percebo que vale a pena ir passando por todos estes Natais. :'D
Espero que tenham tido um Natal que valeu a pena ^^
Tudo de bom, pessoal ;)
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