domingo, 29 de janeiro de 2012

" O sol vai nascer ali, entre aquelas duas montanhas negras. Aquelas duas e nenhumas outras.
Abandono-me, bem instalado, com as mãos apoiadas na barriga, a cabeça virada para as minhas duas montanhas, e fico à espera.
A noite está divina. Não sopra uma brisa, não se ouve um único ruído. O silêncio é total. Os galos não começaram ainda a cantar  nem os pássaros a chilrear.
Sinto, como nunca senti antes, que sou um conjunto de moléculas que forma um corpo onde a vida está concentrada à volta de um olhar.
E sinto, como nunca havia sentido, que estou sobre a superfície atormentada, pedregosa, terrosa, cheia de folhas e de ervas, mas ainda assim e acima de tudo um bloco mineral, de um planeta a que os homens chamam Terra, mas que não passa de um grão de poeira que gravita no espaço sideral, no infinito das distâncias, no infinito do tempo. "

in "Viagem ao Mundo da Droga", de Charles Duchaussois






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