Deviam ter passado horas desde que me tinha sentado ali. Pareceram apenas breves segundos. O sol forte do início da tarde tinha dado lugar ao sol ameno do final da tarde e eu? Eu não tinha dado por nada. Brinquei com a terra debaixo do meu sapato. Ouvi atentamente o movimento dos grãos de terra ao serem pisados e mudados de lugar. A Natureza também faz música. Fixei os meus olhos num ponto infinito. Tive vontade de chorar mas não o fiz. O por-do-sol continua a ser bonito, ali, como sempre. Respirei fundo, respirei o presente e respirei pelo futuro. Tanto passado que ficou para trás. Já não dá para respirar o passado, mas tenho pena. Fica apenas o barulho da Natureza; e vai ficar para sempre. Olhei para o relógio e percebi que era tempo de sair dali. Levantei-me e segui caminho. Mas, secretamente, vou continuar ali sentada, e a terra debaixo dos meus sapatos. Vou continuar ali. Prometo.
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