quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Falta ter a coragem para deixar o calor reconfortante. Nunca mais apagar as palavras escritas com medo das respostas. Acarinhar o que é especial, esquecer o que não o é. Tanta teoria, tão pouca prática, já lá diziam eles. Espreitar pela janela num dia de temporal e sorrir com o frio que nos gela por dentro. Ele vai desaparecer, não pode ficar para sempre.  Trocar as metáforas pelas verdades. Imaginar o mundo perfeito e criá-lo no mundo real. Lá, vamos ser felizes (seja lá isso o que for...lá). Tudo faz sentido, nada é certo - e por isso é que faz sentido. Ter alguém que dorme, descansado, ao nosso lado, porque sabe que estamos acordados, atentos e prontos para a segurança da defesa do ataque. É não confundir as coisas, porque alguém já as confundiu antes de nós. Aceitar esse facto. Baixar os braços quando vemos que não somos capazes. A caneta azul chega ao fim, mudamos para a verde e (vejam só!) até lhe damos mais cor! Guardar recordações eternas. Ter consciência do fim. Chorar por isso, desligar do mundo e voltar no dia seguinte. Como tu farias. Não deixar de dançar só porque a música toca mais baixo. Ainda a ouves? Dança. Canta, mas só se fores capaz de desafinar. Se cantares bem, ninguém te quer ouvir. Com a inocência de uma criança que besunta a boca de chocolate, eu digo que não sei. Não acrescento o "nem quero saber" porque isso seria repetitivo. Tantas coisas às quais eu não ligo. Que vontade de rir, mas um "lol" aqui destoava. Nalgum lugar deve ter ficado guardado. Espero que fique lá e volte só quando eu quiser e da maneira que eu quiser. Até lá, gargalhadas. Gargalhadas, gargalhadas, gargalhadas. Melhor do que tudo, pior do que tu. Banalidades, trivialidades - é o fazer por fazer. Onde eu espero que encontres uma razão, porque eu já não sei explicar melhor. Expliquei muitas vezes, agora já não tenho jeito. Tão reles como isto, tão fantástico como aquilo. Sempre cá e a pensar noutro sitio. À espera que os hieróglifos sejam descodificados. À espera que a luz da lanterna se apague e seja só luz natural. O que é que me dirias? Isso também já não interessa, pergunta antes a quem está ao teu lado. Tantas preocupações e, no fim, sempre nada. Já não é o que era e corre o risco de, agora, ser nada. Too bad. What now? I don't know anymore. You tell me. Vergonha. Shame on us. Cortas-me as rimas do poema, tiras a piada à anedota, roubas o coração ao amor. Se te ris, que te caiam os dentinhos. A fada depois vem buscá-los e dá-te um presente. O medo há-de sempre ser mais forte. As emoções são boas, mas não sobrevivem a uma facada bem dada. Certeira. No coração, mas que atinja o cérebro, por favor. Fim do mundo, início da tua história. Ser um livro no meio desta biblioteca e estar no carrinho dos desarrumados sem-lugar. Que posição ingrata. Tu estás na prateleira errada, deixa estar que não estás melhor. Um frio que gela as mãos. Dúvidas, invejas, mentiras. Morram. A história que já todos leram e a que nunca ninguém leu - qual vai ser a preferida? Gostava de tocar nessa orquestra. Correr pelo parque, de manhã, sem nenhum músculo preso a outra coisa qualquer. Os minutos não páram no relógio e arrastam os dias, no calendário. Oh, tempo, tempo. Sabes lá tu a falta que me fazes. Mordo uma maçã, estendo-me ao sol. Cheira a amaceador de roupa. Estarei num anúncio de televisão? Ah, poupem-me (e eu não sou uma moeda). Felizmente ensinaram-me quando é que é altura de parar.

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