sábado, 5 de setembro de 2009

Gripe A e dinossauros

De há uns meses para cá não há noticiário televisivo que não fale na Gripe A. Não há ninguém que não se afaste ao ouvir alguém espirrar ou tossir, mesmo que estas manifestações físicas e possíveis sintomas gripais venham de alguém que tenha uma simples alergia a detergente ou seja fumador desde que se lembre. De um momento para o outro, as prateleiras dos supermercados encheram-se de uma diversa gama de desinfectantes para as mãos, com as mais variadas cores e espessuras, máscaras, toalhetes desinfectantes...Nas farmácias, estes produtos estão permanentemente esgotados e ocupam um lugar de destaque nos expositores da frente, para serem os primeiros a serem vislumbrados assim que se entra na farmácia. Todos ponderamos, embora uns mais efusivamente do que outros, em frequentar sítios com grande aglomeração de gente, não vá um qualquer vírus malandreco infiltrar-se no nosso organismo. Basicamente, não há ninguém a quem a Gripe A passe ao lado. Os pais temem o regresso dos filhos à escola, diversas entidades dão os últimos retoques aos seus planos de contingência e ninguém ousa insinuar que estes não passarão do papel, o que seria uma atitude tristemente normal hoje em dia. E a vacina que nunca mais chega e que, quando chegar, só se destinará a alguns estratos da população, deixando a larga maioria de fora. É uma altura de grande azáfama para os cientistas que, neste momento, se deparam com um obstáculo no percurso normal das coisas e têm que o ultrapassar, de modo a "garantir a saúde mundial". Porque quando vacinadas, as pessoas sentem-se protegidas e o vírus H1N1 já não representa uma ameaça.
Enfim, neste tipo de assuntos misturam-se complicadas encruzilhadas de aspectos sociais, de saúde, económicos, políticos, etc. São tantas as teorias e especulações e, por vezes, todas tão credíveis, que se torna difícil defender alguma...! O vírus foi fabricado? Quem ganha com isto da Gripe A? Quem são os grupos de risco? Teremos que mudar os nossos hábitos de vida? E se existir uma pandemia? É óbvio que tudo isto me preocupa; mas, assumindo o meu insignificante papel nesta sociedade, propus a mim mesma outro tipo de reflexão sobre o assunto.
Nós, humanos, seres tão capazes e seguros da sua superioridade, criadores e vencedores de tantas guerras, autores de tantas magníficas obras, somos quase que "ameaçados de morte" por algo que não se vê a olho nu!! Não é vergonhoso? Uma coisa que não se vê ameaça o nosso mundo inteiro! Algo de tamanho ínfimo faz-nos tiritar de medo. Algo invisível formou-se e agora é o nosso receio principal. Mais famoso que muitas bandas de música, chefes de estado ou bancos que para aí andam.
Isto faz-me pensar na nossa insignificância. Valemos assim tão pouco? O nosso destino irá ser como o dos dinossauros? Chefes do mundo, reis de tudo, desapareceram num milésimo de segundo e só deixaram cinco ou seis conjuntos de ossos, os quais nos divertimos a juntar como se faz nos puzzles. Porquê? Porque, para nós, os ossos destes reis não são mais do que uma marca do passado que já não volta (desculpem-me os estudiosos que não pensam assim). Poeticamente falando, é esta a verdade.
Se calhar seria melhor não sermos tão seguros ao ponto de acharmos que a nossa espécie será a melhor durante toda a eternidade, seja isso quanto tempo for...
Um bocadinho mais de humildade, de simplicidade e, já agora, de gosto de viver só faria bem à espécie humana.
Os dinossauros só deixaram ossos; nós podemos deixar algo mais...
P.S. - Pode parecer que desvalorizei um pouco a Gripe A neste texto, mas não tinha isso como objectivo. No fundo, a Gripe A foi a introdução que me levou à conclusão que eu queria. Não vamos todos ser hipocondríacos e não sair de casa com medo de ficar doentes, mas esta é uma situação séria e, se todos cumprirmos algumas regras básicas, estamos a proteger-nos a nós próprios e aos outros (quando os outros se protegem a eles mesmos, protegem-nos também a nós!). Eu acho que devemos actuar com racionalidade, até porque este período de crise vai durar algum tempo mas depois passa, como tudo. Não custa nada ter um bocadinho mais de cuidado.

Na parte científica da Gripe A e dos dinossauros, assumo toda a minha ignorância xD. O objectivo não era ser um texto científico mas sim um texto para nos fazer reflectir,apesar de não ser bem uma crónica... Também não percebo porque é que têm que rotular os textos... São palavras, ideias, desenhos, músicas... Valem por si e nem sempre por serem correctos. =)

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