segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Talvez ainda lá volte este Verão...

Era um final de tarde típico de Verão e eu estava na praia. Tinha-me afastado da multidão de banhistas que usufruía dos seus 15 dias de férias, das crianças que faziam construções na areia, das famílias, dos grupos de amigos que desfrutavam da liberdade de estarem juntos. Embora tudo isso fizesse parte do meu Verão, senti que precisava de um momento só meu. Por isso, caminhei pela praia em busca de um recanto mais calmo...Aquele fim de tarde chamava por mim.
Andei, andei, andei... Descalça na areia molhada, a distância não parecia tão penosa...Deixei-me embalar por todo aquele ambiente de praia, quase que planando sobre aquela extensão de areia, até chegar ao sítio que procurava: não era o fim do areal nem o fim do oceano, mas era um local que podia servir de esconderijo para mim, naquele momento. Não havia ninguém nos metros mais próximos, nenhum chapéu de sol, nenhuns chinelos abandonados...
Ali, sozinha naquele cenário pelo qual eu tanto tinha procurado, senti-me repentinamente cansada e deixei-me cair na areia quente em que se desenhavam dunas minúsculas. Colei os joelhos ao peito e abracei as minhas pernas com os meus braços. Deixei o meu queixo assentar suavemente sobre os meus joelhos e assim fiquei, aninhada, a olhar o mar.
Eu tinha o prazer, naquele preciso instante, de presenciar um fim de tarde maravilhoso, quase a atingir a perfeição (se ela existe...).
A temperatura era agradável: estava calor, mas soprava uma leve brisa vinda do mar que refrescava a minha pele; o sol quase que já não se via...aparecia apenas timidamente na linha do horizonte; o céu estava limpo, sem nuvens, numa mistura de tons cor-de-laranja e azul-claro. E eu ali, tendo a oportunidade de ver tudo isto.
Subitamente, as lágrimas vieram-me aos olhos... Algo naquela perfeição me sofucava, me angustiava...E, no entanto, não conseguia sair dali...Parecia que a areia me colava para sempre àquele sítio, junto a ela, junto ao mar... E a praia continuava tão perfeita, tão relaxante... Levantei-me num ápice e, sem pensar (porque eu não queria pensar e, mesmo se quisesse, não tinha tempo para isso), corri em direcção ao mar, mais solta que nunca. A areia saltava nas minhas pisadas decididas, moldava-se à forma do meu pé...A brisa marítima na minha cara era já vento...Um vento que sabia bem. Ao aproximar-me da água, senti uns salpicos que me arrepiaram, mas não parei de correr. As minhas pernas abriam vales naquela água, algumas algas enrolavam-se em volta delas, mas isso já não me fazia impressão...Quando a água quase que alcançava a minha cintura, mergulhei. Aquele frio penetrante absorvia o meu corpo e eu, de olhos fechados, não via nem ouvia mais nada. Breves segundos depois, vim à superfície. Os meus cabelos molhados e, agora, esticados pela água, estendiam-se pelas minhas costas. Esfreguei os olhos. Olhei à volta e respirei fundo. Senti-me renovada.
Pensei que se as lágrimas ainda estavam nos meus olhos, o mais provável era que se confundissem com a água salgada que cobria todo o meu corpo; mas mais provável seria que se tivessem juntado às restantes lágrimas do oceano...
Com este pensamento (será certeza?) saí de dentro de água, lançando um último olhar àquele meu esconderijo...
Talvez ainda lá volte este Verão...
E voltei para junto da multidão.
@

1 comentário:

Joana. disse...

Esqueceste-te de uma parte:

" E assim relembrei aquela noite de vomitanços que passei com a minha QUERIDA Joana" x'D

Catarina, desta vez digo com toda a certeza: só nós!

Sabes que ate para isso estarei aqui sempre :)

Love you @