Está cada vez mais perto. A nuvem negra. Eu não queria que ela viesse, mas acabou por dar o ar da sua graça. Estava tão bem sem ela...! Assim que o tempo começou a ficar instável, estranho, melancólico...Assim que o azul tomou tons de cinzento...Eu percebi que ela vinha aí.
A nuvem negra.
Vi-a a aproximar-se, impotente. Queria combatê-la, mas não tinha forças para isso. Aliás, para mim era certo que, mesmo se a conseguisse combater por algumas horas, só teria ganho um adiamento - ela voltaria assim que pudesse...E não tardaria muito.
Então, fraca, deixei que a nuvem tomasse conta do que era o meu território e que eu tinha conseguido manter seguro e estável durante tanto tempo...!
A nuvem foi devastadora - destruiu, desmoronou, enervou, arrasou, deitou por terra sonhos que estavam lá no alto mas que, afinal, deviam ser feitos de vidro muito fino.
Eu vi tudo isto.
E assim como senti, momentos antes, o azul tornar-se cinzento, também agora senti o cinzento tornar-se azul!
Lentamente, comecei a sentir-me melhor. Reparei que a nuvem cinzenta se estava a afastar (até quando?).
Quero impedir que ela volte. Mas ela vai voltar. É cíclico.
(Talvez volte para destruir o vidro muito fino...)
O truque é saber viver tanto no azul como no cinzento.

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1 comentário:
Quando começamos a tendenciar-nos apenas para o cinzento, o melhor é pedir aos nossos (verdadeiros) amigos e ás pessoas que nos amam que nos voltem a pintar o arco íris na alma :)
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