quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


" (...) If it's not forever, if it's just tonight

Oh it's still the greatest, the greatest. (...) "


Kings of Leon - Sex on Fire



   A beata do cigarro morto jaz entre duas pedras da calçada. O cigarro foi deitado fora e agora é beata (ou foi deitado fora quando se transformou em beata?). Foi deitado fora quando já não servia e nem sequer foi para o lixo. Foi espezinhado e deixado a definhar-se no chão que serve de tapete àquela rua. Lá está o cigarro (não lhe vamos chamar beata, cigarro soa melhor) - apagado, esmagado, fumado, acabado. Antes aceso, quente, vivo; depois todo o oposto. Antes tudo bom; depois tudo mau. É assim a vida, diriam alguns. Não é bem a vida, é mais o oposto. Mas um cigarro não pode durar para sempre - não foi feito para isso. Foi feito para um momento específico e, sem dúvida alguma, esse momento específico não é eterno. O que interessa realmente naquele cigarro é o momento específico - o momento do bom. Depois pode apodrecer à vontade, perdido da sua essência no meio de duas pedras da calçada. E aqui não há ironia nenhuma, nem sarcasmo nem qualquer tipo de tom depreciativo - há tão somente a constatação de que há coisas que não podem durar mais do que um momento (porque não foram feitas para isso) e tal facto não significa obrigatoriamente que essas coisas não prestem. Podem até ser as melhores, as que marcam mais, as que mais desejamos, aquelas pelas quais mais sofremos... Só não podemos prolongá-las, porque elas não se prolongam. Não estão programadas para isso. Esta característica particular não lhes tira a magia - só lhes tira algum tempo. Os elásticos só esticam até um determinado limite e depois não aguentam mais - rebentam. Se rebentam, já não prendem mais folhas, já não fazem mais totós...



   Aproveitem as coisas que têm momentos específicos e não as prolonguem mais do que aquilo que elas aguentam. Assim, o elástico não rebenta e as folhas não voam pelo ar, sem destino... No meio de tudo isto, é também importante não esquecer a questão dos cigarros. (Não me apetece estabelecer uma analogia metafórica. Era capaz de ficar estranho, isto é suposto ser só uma pequena conclusão para o texto não acabar "a seco" , já ultrapassei o limite máximo de palavras e já não tenho linhas disponíveis. Assim deixo ao vosso critério a descodificação daquilo que deixei implícito na frase anterior e espero que me dêem alguma cotação, mesmo que tudo isto não passe de pura palha)



FELIZ NATAL! ;)


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1 comentário:

28 disse...

ohh, agora tenho pena dos meus cigarros!

que ingratidão..