Se eu acender a luz do meu quarto, de noite, de janela aberta e persiana levantada (vamos supor que é Verão...), o que é que acontece?
Sou mais uma pessoa com a luz do quarto acesa, de noite, com a janela aberta e a persiana levantada.
A minha luz não é diferente das outras. É simplesmente outra. Especial? Inspiradora? Outra.
Sento-me no parapeito da minha janela, como fazia em pequenina, e vejo que já não me ajusto lá tão bem. Mas, a seguir, olho para a luz do meu quarto e sinto-me logo feliz outra vez...
É bom olhar para as luzes das outras casas e vê-las lá ao fundo, pequeninas. Não me sinto tão pequenina no meu parapeito, assim.
Às vezes é bom ser apenas mais uma luz. Nada pesa sobre nós senão a responsabilidade de iluminar o nosso bocadinho de noite.
Gostava que o meu prédio fosse mais alto, para me poder imaginar em Nova Iorque, ou equivalente (qualquer sítio onde haja muitos prédios e luzinhas de janelas, à noite...Tenho a mania que a chave para a suite do Ídolo está na minha posse.) . Lá, eu ia sentar-me ao parapeito, outra vez, e ser uma luzinha, outra vez. Mas num prédio mais alto, rodeada de outros prédios mais altos e com mais luzes.
Numa multidão passo despercebida mas, sem mim, haveria menos multidão.
Sim, talvez eu seja a pessoa estranha que está parada no meio da rua enquanto uns milhões de outras pessoas passam, acelerados, à sua volta, na correria do dia-a-dia. Talvez eu seja uma imagem de um videoclip previsível.
Vou apagar a luz.
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2 comentários:
Só tenho pena que escrevas posts tão espaçados =(
me too =T
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